18 agosto 2007
posted by Paulo Vivan at 1:33 AM

A espécie humana é realmente capaz de coisas únicas. Não estou falando sobre ir a lua, construir pontes ou fazer filmes pornográficos. Estou falando sobre vícios.

Somente os seres humanos conseguem pegar algo totalmente desagradável, subevertê-lo e transformá-lo num "prazer". Pegue o cigarro por exemplo. Quem em sã consciência diria que aquilo é algo agradável, tem um cheiro gostoso? Sempre tem os que dizem que é um relaxante ou algo do tipo, mas esses são os viciados, tremendo incontrolavelmente enquanto tentam acender mais um. Tenho certeza que você ouve a mesma coisa do pessoal da cracolândia, defendendo as suas pedrinhas. A diferença é que eles não precisam de lugar reservado nos restaurantes, esfregando seu vício na cara das pessoas.

O que me leva a assumir que todos os vícios idiotas do mundo vêm de pessoas como os fumantes, não necessariamente fumantes. Pessoas que precisam de um algo a mais em suas vidas. Pessoas que fazem sexo anal com piranhas ou então vão caçar sereias sem um tanque de oxigênio. Alguns viram até motoboys.

O negócio é que o ser humano é carente de atenção e adora imitar os mais burros. Se você ver um grupo de pessoas comendo terra, com certeza vai achar isso idiota. Mas no fundo de sua mente, algo vai ficar gravado e, num determinado dia, você vai sim colocar um pouquinho de terra na boca pra saber o que é que eles estavam gostando tanto. O homem é o único animal que coloca o dedo na tomada mais de uma vez, duvidando do choque que levou na primeira ou terceira vez.

Não acho que isso seja um problema para se dar bem na vida. Veja só alguns presidentes no mundo. Também não acredito que isso seja um desejo de morte, apenas um jeito de viver a vida com um pouco de emoção. Eu, por exemplo, sempre que posso bebo um grande copo de sangue do Magic Johnson. Mas eu não sou viciado.

Eu posso parar de beber o sangue do Magic quando eu quiser. Sério.
 
16 agosto 2007
posted by Paulo Vivan at 4:18 PM

A preguiça é como um animal de estimação. Você sabe que ele está lá, sabe que ele está olhando para você, mas mesmo assim você decide ignorá-lo. Às vezes, pois, na maioria das vezes você não consegue resistir aos seus encantos e sorriso encantador.

Eu tenho uma preguiça para cada hora do dia e penso nelas como animais de estimação queridos, sem elas eu não vivo. Tenho a preguiça do sono, que é mais ativa logo pela manhã. Tenho a preguiça da padaria, que me impede e me segura com garras, impedindo a compra do pão nosso de cada dia. A preguiça do trabalho é uma das mais violentas, com acessos de raiva que podem incapacitar um homem adulto. Já a preguiça estudantil afeta qualquer um que deseja abrir um livro ou ficar acordado numa sala de aula, é um animal voraz.

Nestes tempos modernos, outra preguiça tem se difundido com a rapidez de um novo método para baixar MP3 de graça. A preguiça digital. Recebeu um e-mail? Pra que responder agora? Deixa pra depois. Recado no orkut? Comentar no fotolog? Agora não. Anti-virus? Anti-spyware? Demora tanto, depois eu passo.

Na verdade, a preguiça será conhecida por nossos possíveis sobreviventes como o animal representante do Apocalipse. Aquecimento global? Reciclagem? Faz você, vai... Vou ali fazer uma fogueira, ficar no quentinho.
 
08 agosto 2007
posted by Paulo Vivan at 2:00 PM

Outro dia um mendigo comeu a nota de dois reais que eu dei.
Outro dia perdi o meu ônibus por um frame.
Outro dia paguei imposto e me senti mal.
Outro dia me cobraram menos no mercadinho e eu não falei nada.
Outro dia eu descobri que o papel higiênico tinha acabado da pior maneira.
Outro dia eu comi um iogurte vencido.
Outro dia fiquei sem Internet e fiquei andando em círculos.
Outro dia alguém me xingou nos comentários deste blog.
Outro dia é uma maneira bem fácil de escrever quando não se tem o que dizer.
Outro dia eu escrevo algo melhor.