PARECE, MAS NÃO É
Outro dia eu comi no pior restaurante vegetariano do mundo.
Sim, eu já me arrisquei entrando num vegetariano, mas veja bem, era quarta-feira. E desde que algum imbecil resolveu decidir que quarta-feira é dia de feijoada, as opções não são muitas para o almoço. Até restaurantes vegetarianos entraram na moda e fazer feijoada de ricota ou legumes. Coisa de gente que come vinagrete sem vinagre e chocolate sem cacau.
E neste pior restaurante do mundo, por todos os lados, cartazes, folhetos, matérias, dvds e fotos tentavam, não só sensibilizar, mas converter você da pior maneira possível ao vegetarianismo. Só isso já me dava vontade de matar o dono e cometer canibalismo. A pior das ofensas, pior de todas estava num papel que encontrei debaixo do meu prato. A versão consciente do "Atirei o Pau no Gato".
"Não atire o pau no gato-to/ porque isso-so / não se faz faz faz/ O gatinho-nho / é nosso amigo-go / não devemos maltratar os animais / miau!"
Veja bem: as rimas e músicas infantis são as únicas coisas nesse mundo que dão sentido às nossas vidas. Se eu atiro o pau no gato é a minha natureza humana. Sou cruel e não tem o que fazer. Até a dona Chica se admirou no berro que o gato deu (lê-se: deu risada). O ser humano é cruel e tenho certeza que essa música foi feita por alguém muito mais cruel, vestindo botas de jacarés e comendo um bife que alimentaria três famílias por três meses e que cada vez que ouve a música, gargalha se engasgando na própria gordura e atira um pau num gato amarrado.
E neste pior restaurante vegetariano do mundo eu comi uma coisa que parecia frango, mas não era, uma coisa que parecia carne, mas não era. E se eu pagasse com algo que parecia dinheiro, e não era?
O que eu quero mesmo dizer é: amanhã tem churrasco. De carne.

