20 setembro 2006
posted by Paulo Vivan at 5:34 PM

Alguém realmente devia ministrar um curso, escrever um artigo ou manifesto, ou até mesmo reclamar na rádio sobre isso. Etiqueta no banheiro masculino. Digo masculino justamente porque não dou a mínima para os banheiros femininos. A não ser que o masculino esteja trancado e a situação esteja desesperadora do tipo em que você precisaria de um par novo de calças ou simular um derrame. O lance é o seguinte, muito, mas muito mais grave do que no cinema, simplesmente nunca atenda ao telefone num banheiro masculino. Especialmente se a sua configuração for: sentado, com as calças abaixadas.

Por que? Bem, porque pode acontecer de alguém, vamos dizer, eu, entrar num banheiro público. E vamos dizer que esse alguém, eu, vá apenas utilizar um daqueles maravilhosos artefatos na parede, o vulgo urinol.

Simultaneamente, um telefone toca dentro da cabine. O celular toca no meio do que parece o mais insistente e doloroso movimento peristáltico intestinal na história dos toletes. E a conversa seguiu, sem maiores problemas, apesar de eu insistentemente revelar a minha presença com um combo "tosse/pigarro/assovio".

"Oba. Não, é só você ligar para Goiânia e UUUUUUUUUUNNNNNNNGGGGGHHH Jesus dizer para eles enviarem os pacotes ainda hoje. E porquê eles não usam RRRRRRRRRRRRNNNNNNNGGGGG ai DEUS Sedex? Isso, fala pra eles que a gente NNNNNNNNNNHYYAAA merda paga a taxa de envio se eles mandarem ainda hoje."

E isso durou uns bons cinco minutos. Eu sei disso como? Bem, esperei ele terminar a conversa, claro. Era um daqueles momentos que poucas pessoas presenciam. Um momento de um homem simples tentando fazer duas coisas importantes ao mesmo tempo. Aqueles deviam ser pacotes realmente importantes.

Quanto a mim, não consegui urinar. Todos sabem que rir faz as pessoas urinarem, mas nunca consegui urinar rindo.
 
18 setembro 2006
posted by Paulo Vivan at 2:27 PM

Tenho sérios problemas para me decidir. Não é fácil. E, cada vez mais, tenho mais opções. Apenas na sorveteria fiquei 26 minutos paralisado diante da enormidade de sabores. Quem garante que a minha escolha de Chocolate com Menta não ficaria ruim diante de Avelã com Chocolate? E casquinha ou copinho? Cartão, cheque ou dinheiro? Quer sentar aqui fora ou lá dentro?

Mesmo assim, vivemos numa sociedade monoteísta e monogâmica. Como é que pode? Eu quero ter um Deus diferente para xingar, dependendo do dia da semana. Eu quero um Deus diferente para cada tipo de carro. Eu quero uma mulher diferente para cada tipo de filme. E eu quero uma mulher diferente para cada tipo de comida. Claro, eu devo estar certamente ofendendo alguém (minha namorada/Deus). Mas e daí? O que mais pode acontecer?

RESPOSTA: Minha vida pode virar um inferno, graças à namorada e a minha pós-vida pode virar um inferno, graças a, bem, Deus.

Devo certamente estar ofendendo algum grupo radical muçulmano porque não mencionei Alá. E agora, com a inclusão de Alá neste texto, devo estar marcado para a morte por blasfêmia, já que Alá não pode ser mencionado desta maneira. Aliás, marchinha de carnaval é blasfêmia? E será que eu posso ofender mais alguma religião, assim, ainda nesse parágrafo? Aqueles evangélicos do outdoor vermelho, talvez, mas ninguém sabe quem eles são e duvido que mexam em computadores, afinal, deve ser obra do demônio. A não ser que use Linux, aí tudo bem.