09 março 2006
posted by Paulo Vivan at 12:43 PM

EX-QUASE NAMORADA

Certamente você já deve ter encontrado aquela namorada que você nunca teve, assim, por acaso na rua. E assim, por acaso, na rua, ela, com provavelmente 20 quilos a mais, de mãos dadas com um filho de dois anos e grávida de 7 meses. E tudo que você pensa é como ela podia ter sido sua namorada. Como tudo poderia ter sido diferente.

Sabe, essa menina foi minha quase-namorada dez anos atrás. Eu, com dezesseis anos, dei uma de gostosão, fiquei fazendo frescuras e deixei a oportunidade passar. Ela conheceu o pai de seus filhos nessa época mesmo. E mais uma vez penso como tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse sido um pouco mais esperto.

Primeiro, ficaria com ela e não ligaria depois de um tempão. Sim, eventualmente começaríamos a namorar, porque, mesmo não ligado pra ela, estudávamos juntos no colegial. Não havia escapatória. Daí pra frente faríamos sexo na casa dela de tarde ou na minha, logo depois da aula. O namoro iria bem, mas, por volta dos 5 meses eu entraria na faculdade e ela iria pro cursinho. Sem dúvida eu sucumbiria aos encantos das voluptuosas e mais velhas e gostosas alunas dos cursos de arquitetura e as festas com mulheres fáceis e não tão bonitas do curso de administração de empresas. Sim, o namoro terminaria por volta dos 7 meses sob o pretexto de "sou eu, não é você". E na verdade seriam as vagabundas da faculdade, nada mais justo.

Mas, nada impediria o eventual encontro eventual um ano depois, agora com ela na faculdade descobrindo as maravilhas da solteirice. Claro, o rancor do ano anterior ainda teria impedido ela de ter um relacionamento sério com qualquer um, ainda mais descobrindo como eram as festas da faculdade de administração. Sim, ela perguntaria por aí. Mas os encontros ocasionais comigo não durariam muito. Logo chegaria a época dos estágios e, melhor ainda, das estagiárias.

E então, hoje, dez anos depois eu encontraria na rua aquela menina que seria minha ex-namorada, sem filhos, com um olhar de certo desprezo pra cima de mim. Eu poderia chegar em casa e diria com gosto para o meu irmão "Lembra da Fulana? Nossa, como ela ainda está gostosa!".