ESCULTURA
- É por aqui, senhor.
- Obrigado.
Renato, o escultor, acompanha Geraldo, o vice-presidente. Abre uma porta que dá para um grande galpão com uma estátua no meio. A estátua está coberta com um pano branco. Os dois entram na sala, se aproximam da estátua e as luzes vão se acendendo aos poucos.
- Aqui está a estátua do presidente.
- Vamos lá, o que está esperando? Tire o pano.
Renato tira o pano, revelando a estátua.
- Não acredito.
- É uma beleza, não é?
- Não. Não é. O presidente está pelado... E...
- Claro que está. Afinal, você não quer ele perto do povo?
- Sim, queria... Mas... Eu pedi natural. Ele natural e íntimo, não pelado. Eu imaginava ele lendo um livro ou algo assim...
- Nada mais íntimo que a nudez.
- Er... O que é aquilo?
- Onde?
- Ali, debaixo do sovaco...
- Ah, é um terceiro braço semi-desenvolvido.
- Terceiro braço... Semi-desenvolvido... O presidente definitivamente não tem isso.
- Sim, mas faz parecer que tem.
- Como assim?
- Bem, ele está sempre envolvido com duas ou três coisas ao mesmo tempo, então criei esse terceiro braço para simbolizar isso.
- Acho que isso deve explicar o segundo pênis que acabei de perceber, logo acima da nádega esquerda.
- Claro. O presidente passa aquela imagem de "macho alfa". Nada mais masculino que ter dois pênises!
- Pênises?
- Sim, pênises!
- Você já viu alguém com dois?
- Bem, já. Não. Já ouvi falar. Li numa revista. Mas não tinha fotos. Então a localização foi artística mesmo.
- Certo. Por favor, só uma última coisa. Por que um dos pés tem quatro dedos e o outro tem sete?
- Tem é? Er... Bem, foi distração minha. Desculpe.

