8 ANOS PARA SEMPRE
De que adianta crescer, virar adulto e ter dificuldade em imaginar qualquer coisa? Não digo coisas do tipo “minha mulher está me traindo?” ou “será que estou gorda?”. Isso não tem graça. O melhor de ser adulto é que o repertório para imaginar coisas absurdas é muito maior. Mas, como todo bom recurso, deve ser aplicado com uma ferramenta apropriada. É por isso que congelei minha idade mental em 8 anos. Não sei explicar a conta, mas você queria o que de alguém que tem 8 anos?
Nada como um exemplo. Eu observei um pai e seu filho conversando do outro lado da rua. O filho faz uma cara feia.
- Pai, porque você não me deu nada no Natal este ano?
- Sinto muito filho, o Papai está com muitas dívidas.
Chegam dois homens e todos se cumprimentam.
- Olha só quem chegou, filho. Nestor e Ronaldo.
- Olá, Fernandinho.
Fernandinho parece preocupado.
- Filho, para sanar minhas dívidas, você vai ficar um tempo com esses dois rapazes.
- Sim, Fernandinho. Não vai ser nada demais. Só usaremos seu intestino para levar drogas para o Uruguay. Você será o nosso mulinha.
- E sabe da melhor? – diz o outro homem – A droga não vai entrar pela sua boca!
Todos riem alto e Fernandinho vai no colo do homem, feliz da vida.
Desencana. Nada disso realmente aconteceu, mas e daí? Mas, droga, melhor planejar o próximo texto antes de escrever. O que me leva às 5 etapas do planejamento.
1) Me preocupar como o que escrever.
2) Conversar com os meus amigos e estranhos na rua sobre o que escrever.
3) Cantar e dançar uma música sobre o problema.
4) Escrever.
5) Me vangloriar de ter escrito.
6) Cantar e dançar outra música para comemorar.
Foram 6, mas eu tenho 8, se quiser corte a 3 ou a 6, mas não corte as 2 senão não terá 5. Tenho 8 anos, mas meu sol não tem dois olhos e uma boca quando eu desenho. Uma que seria realmente monstruoso se o sol tivesse uma boca e dois olhos, outra que dói mesmo olhar pro sol.

