26 junho 2005
posted by Paulo Vivan at 6:42 PM

ESCULTURA

- É por aqui, senhor.
- Obrigado.

Renato, o escultor, acompanha Geraldo, o vice-presidente. Abre uma porta que dá para um grande galpão com uma estátua no meio. A estátua está coberta com um pano branco. Os dois entram na sala, se aproximam da estátua e as luzes vão se acendendo aos poucos.

- Aqui está a estátua do presidente.
- Vamos lá, o que está esperando? Tire o pano.

Renato tira o pano, revelando a estátua.

- Não acredito.
- É uma beleza, não é?
- Não. Não é. O presidente está pelado... E...
- Claro que está. Afinal, você não quer ele perto do povo?
- Sim, queria... Mas... Eu pedi natural. Ele natural e íntimo, não pelado. Eu imaginava ele lendo um livro ou algo assim...
- Nada mais íntimo que a nudez.
- Er... O que é aquilo?
- Onde?
- Ali, debaixo do sovaco...
- Ah, é um terceiro braço semi-desenvolvido.
- Terceiro braço... Semi-desenvolvido... O presidente definitivamente não tem isso.
- Sim, mas faz parecer que tem.
- Como assim?
- Bem, ele está sempre envolvido com duas ou três coisas ao mesmo tempo, então criei esse terceiro braço para simbolizar isso.
- Acho que isso deve explicar o segundo pênis que acabei de perceber, logo acima da nádega esquerda.
- Claro. O presidente passa aquela imagem de "macho alfa". Nada mais masculino que ter dois pênises!
- Pênises?
- Sim, pênises!
- Você já viu alguém com dois?
- Bem, já. Não. Já ouvi falar. Li numa revista. Mas não tinha fotos. Então a localização foi artística mesmo.
- Certo. Por favor, só uma última coisa. Por que um dos pés tem quatro dedos e o outro tem sete?
- Tem é? Er... Bem, foi distração minha. Desculpe.
 
22 junho 2005
posted by Paulo Vivan at 9:12 PM

OS CADARÇOS DESAMARRADOS DA SUA VIDA

Enquanto os problemas botam fogo na sua vida, Roberto só abana o fogo. Abana com o resto da apólice de seguro da casa. Sim, a casa pega fogo. Mas o fogo não começou na cozinha, e sim, no quarto. Sim, a esposa está viva. Divorciada e morando no litoral com um jovem executivo bem sucedido. Não, Roberto não está sozinho. Está com uma jovem executiva bem sucedida. Não, nem Roberto nem sua ex-esposa - Marisa - são executivos.
E o fogo não é acidental. Sim, o fato do cachorro ter morrido queimado foi acidental. Não, Roberto realmente ficou triste. O cachorro era dele, ficou com ele. O gato era de Marisa. Sim, o gato está vivo, mas por pouco tempo. Não, o gato não irá morrer queimado e sim atropelado daqui a dois meses por uma carreta. Sim, Marisa ficará arrasada mas não ligará para Roberto. Como faz agora. Para perguntar de suas jóias no cofre. Sim, Roberto já havia vendido todas. Não, Roberto não contou para Marisa.
Sim, a polícia e o seguro desconfiaram. Não, Roberto não foi indiciado. Sim, Marisa não deu a mínima. Sim, Marisa fazia parte do esquema. Não, a idéia não foi de Roberto, nem de Marisa.
Sim, os executivos bem sucedidos estudaram juntos.
 
01 junho 2005
posted by Paulo Vivan at 10:15 AM

26 PAULOS VIVANS

Lá em 88, quando eu tinha 9 anos, o ano de 2005 era muito, muito longe. Certamente eu, com 26 anos, seria um feliz homem casado com dois filhos, meu carro voador e casa com piscina. Isso sem contar os três cachorros da minha casa. Eu seria um desenhista famoso, com minha própria revista em quadrinhos, que nesse ponto de minha carreira, já seria um desenho animado de sucesso.
Acabo de fazer 26 anos hoje. Talvez ainda dê tempo. Talvez.

Talvez em 2010, quando máquinas de teletransporte, trazida pelos aliens que fizeram contato conosco em 1999, segundo meu eu de 91, eu poderia ir e vir do meu sítio facilmente. Pra brincar com meus cachorros. Sempre.

Em 85 em queria ser um cachorro.

Hoje um cachorro de rua abanou seu rabo para mim. Deve ter sido um parabéns.