25 maio 2005
posted by Paulo Vivan at 10:20 AM

O SURFISTA PRATEADO E A ATUAL SITUAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

Numa galáxia distante, Norrin Radd1 vive feliz com sua amada Shalla-bal em seu planeta Zenn-la. Um dia, Galactus2, um ser cósmico, devorador de planetas, chega em Zenn-la para o terror da população. Galactus, para viver, precisa consumir planetas inteiros3. Sempre foi assim e será sempre assim4. O planeta está condenado5.

GALACTUS:
- Minha minha fome não tem limites. Chego neste mundo chamado de Zenn-La. Seus habitantes não significam nada para mim. Eu requero as energias deste planeta. O que me importa se a população é destruída no processo?

E então, Norrin Radd ousou se aproximar de Galactus.

NORRIN RADD:
- Poupe meu planeta, Galactus. Eu encontrarei novos planetas para você, planetas sem vida, onde você pode matar sua fome sem sacrificar inocentes!6

Galactus aceita a barganha. Então, Norrin Radd recebe o poder cósmico de Galactus tornando-se assim o Surfista Prateado7. Mas, o Surfista não sabia que, durante a tranformação, Galactus alterou a memória do Surfista, fazendo com que ele ignorasse suas crenças e continuasse a escolher mundo habitados para serem devorados8.

Quando Galactus, faminto, chegou à Terra, o Surfista Prateado ficou comovido com os apelos da humanidade, na tentativa de salvar nosso planeta. Isso o fez lembrar de Zenn-la e sua missão original. O Surfista voltou-se contra Galactus, usando o poder cósmico para tentar derrotá-lo9. Ele perde a luta, embora tenha conseguido salvar a Terra da destruição, Galactus usou o seu poder para aprisionar o Surfista Prateado no planeta, impedindo-o de fazer viagens intergaláticas.10

Anos depois de viver no ostracismo, convivendo com a população terreste, Galactus remove a barreira que prende o Surfista no planeta, e ele volta a singrar o cosmos11. Durante sua jornada, o Surfista Prateado encontra-se com diversas espécies e seres estelares, alguns bloqueando seu caminho:

ALIENÍGENA:
- Pare! O que faz nessa região, ser prateado?

SURFISTA PRATEADO:
- Seu tolo! Não sabe quem eu sou? Não sabe com quem fala12.

ALIENÍGENA
- Claro que não!

SURFISTA PRATEADO:
- Sou o arauto de Galactus13 e possuo o poder cósmico. Deixe-me passar.

ALIENÍGENA
- Não sou obrigado a fazer nada! Você não passará!

E então o Surfista Prateado destrói seu inimigo14.

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(1) - Norrin Radd é a personificação do povo brasileiro. Amável, otimista e sempre disposto à entrentar o pior para melhorar seu país. Também vale ressaltar a característica de sempre querer se aproximar de pessoas com poder, assim, facilitando sua vida pessoal com favores.
(2) - Galactus representa o governo, os três poderes - executivo, judiciário e legislativo. Ele é um paralelo de como o poder absoluto corrompe.
(3) - A união dos três poderes, aliada à corrupção esvaziam os cofres públicos em benefício próprio.
(4) - A impunidade é um fator dominante no Brasil.
(5) - Idem.
(6) - Essa passagem representa o cidadão brasileiro inocentemente tentando uma vaga num concurso público, aliando-se ao poder, na esperança de melhorar o país.
(7) - O cidadão consegue a vaga no concurso público e é chamado em edital.
(8) - O recém nomeado funcionário público tem que se enquadrar no "esquema" de desvios de propina e corrupção, senão perde sua vaga. Não pode por em prática seu sonho de melhorar a nação.
(9) - Numa tentativa de desmascarar o círculo de corrupção, o cidadão tenta criar uma CPI e usar o próprio sistema como saída.
(10) - A CPI não dá em nada. O funcionário é escorraçado para algum serviço burocrático de menor importância numa cidade de interior. No caso político, pode até perder seus direitos eletivos.
(11) - Eventualmente, a punição, mesmo para casos julgados de crime comprovado, não dura muito. Os indivíduos voltam às atividades normais, ilícitas ou não.
(12)- Os apadrinhados usam e abusam de sua posição. O nepotismo impera, aumentando a desigualdade social.
(13)- Idem ao 12.
(14)- A desigualdade gera violência.
 
16 maio 2005
posted by Paulo Vivan at 2:20 PM

AH, O VELHO JOGO: DÊ UM APERITIVO PARA O LOBO E FAÇA COM QUE ELE PASSE FOME

Você se lembra daquele período horrível na adolescência quando seus pais, ou um deles, tentava lhe ensinar os princípios básicos do sexo? Uma época estranha, um tempo de olhar diretamente para o chão, sem arco-íris ou sol. A não ser que você tenha sido criado por hippies, claro. Ou então pelo treinador Mickey, do Rocky. Se bem que seria interessante qualquer comentário sexual vindo daquele velho. "Bata na carne, bata na carne, vamos, o que está esperando?". Acho que ele não era o mais qualificado pra falar de preliminares. Ou de ejaculação precoce.

Eu me lembro de quando eu era pequeno tive uma palestra com a então sexóloga Marta Suplicy. Não prestei atenção nenhuma no que ela dizia. Mas, garanto que a menção da palavra "pênis" por uma mulher, na frente de uma classe de quinta série, não foi recebida com seriedade. Muito menos a palavra vagina. Mas eu me lembro das mães conservadoras odiando aquela mulher por falar de coisas aos seus filhos que elas nunca sequer falaram para seus maridos. Ninguém fazia sexo, as crianças simplesmente nasciam. Mesmo porque, na cegonha, ninguém nunca acreditou.

O fato é que eu adoro o sexo na internet. Eu não gostaria de imaginar um mundo sem internet, sem pornografia grátis online. Isso seria realmente chato. Não só chato, mas futuras gerações seriam obrigadas a assistir um dvd institucional onde uma velha assustadora ensina e esclarece dúvidas sobre a masturbação - numa edição especial, com dois discos, com comentário da velha e do marido dela, making of, erros de gravação, 20 cenas deletadas, infográfico sobre a masturbação e galeria de fotos.
 
09 maio 2005
posted by Paulo Vivan at 9:45 AM

A COLETA

- Posso pegar uma?
- Claro. Essas balas são pra quem quiser.
- Então vou pegar duas.
- Fique à vontade.
- Três, vai, quem se importa?
- Isso, sem problemas.
- Vai usar esse grampeador?
- Não, pode pegar.
- E essa caneta?
- Você me devolve?
- Quando eu terminar de usar.
- Então pode pegar.
- Valeu. Aliás, preciso desse bloquinho.
- Pegue.
- E a borracha.
- Certo.
- Seu teclado é tão legal... Me permite?
- Vá em frente...

(Algum tempo depois)
- Então, tome de volta sua caneta.
- Ah, obrigado. E, por favor...
- Sim?
- Quando vai devolver minhas roupas?

[ATENÇÃO: este texto me fez lembrar de quando eu vi uma criança retardada devolvendo "ET o Extra-terrestre" do Atari 2600 e pedindo seu dinheiro de volta simplesmente porque o jogo era ruim demais.]