O PERIGO DAS EMBALAGENS
Graças a raça humana, o mundo foi abençoado com o papel higiênico. Antes disso, bem, qualquer um que já limpou um bumbum com uma folha, no meio do mato, sabe que não funciona muito bem. Então, é de conhecimento de todos que o papel higiênico é uma invenção brilhante. A bomba nuclear, por seu valor científico, também é uma invenção brilhante. Logo, a humanidade tem dois orgulhos. De um lado a bomba nuclear e do outro o papel higiênico. Mas ninguém embrulhou a bomba nuclear com plástico florido!
Deve ser uma coisa meio roots. Você quer se limpar, procura por algo no banheiro e instintivamente vai para uma imagem de flores e folhas verdes. É o animal interior falando. Só pode ser isso que os designers de produto imaginaram. Será que eles fizeram pesquisa de campo? E será que eles descobriram que as folhas de determinadas rosas e tulipas eram as mais apropriadas? E por isso, para realçar o instinto, perfumaram o papel da mesma essência dessas flores? Talvez nunca saberemos.
Então chegamos num ponto em que as embalagens que embrulham nossos produtos atigem de tal maneira nossos instintos que ficamos desorientados. Ninguém faz uma embalagem de leite achocolatado com uma vaca. Devem ter medo que pensemos que o leite terá gosto de carne. Ao invés da vaquinha simpática, temos um mostro - geralmente a própria embalagem que ganhou vida - surfando num mar de chocolate. Taí uma coisa realmente assustadora, mas que vende leite achocolatado. Quando digo que as embalagens são perigosas é porque elas nos enganam, nos forçam a crêr que o produto veiculado nelas é tão bom, tão bom, que tem mais de um uso. Digo isso porque experimentei um Harpic (higienizador sanitário) Maça Verde. E acreditem: não tem gosto de maça verde.


