26 novembro 2004
posted by Paulo Vivan at 1:10 AM

UMA MENSAGEM DO AUTOR

Oi,

Quando acordo pela manhã, coloco um novo par de meias. Não espero que alguém me cumprimente ou elogie por isso, especialmente num dia quente. Mas, se quiser deixar uma mensagem aqui embaixo, me elogiando, vá em frente. Levo apenas um segundo para um ler. Um nanossegundo se eu mudasse o sistema de comentários, mas sou paciente. Eu posso facilmente esperar um segundo pelo próximo elogio. A não ser que o comentário - geralmente negativo - seja feito por um membro da família. Ou de pessoas que me conhecem. Como é duro ser facilmente apreciado hoje em dia.

Mesmo assim, recebi em minha caixa postal uma carta destinada ao senhor Rafael Menezes Soliffo, informando que, na próxima sexta-feira, ele receberá o prêmio da Academia Brasileira de Ciências pelo seu trabalho na preservação dos mananciais e mangues da Baixada Santista. Obviamente irei receber o prêmio no lugar dele. Tenho certeza que em algum momento da cerimônia os organizadores descobrirão o terrível erro que cometeram e tentarão tirar o prêmio de mim. É por isso que irei ao evento armado.

Obrigado leitores pelo seu contínuo apoio.

Paulo Vivan.
 
17 novembro 2004
posted by Paulo Vivan at 6:14 PM

HIPPIES DÃO EM ÁRVORES POR AQUI

Pois é, as árvores estão cheias. E te digo mais, alguns estão caindo de maduros. Outro dia, um hippie jubilado em 89 do curso de Ciências Sociais da PUC caiu em cima de um carro estacionado na Rua Monte Alegre, em frente ao restaurante Macedo. Você precisava ver só o estrago que ele fez. O cara da oficina não sabia por onde começar. Ainda se ele tivesse cabelo curto, mas as tranças dele entraram no motor e o colar de búzios enganchou na pastilha o freio. Acho que o seguro não cobre hippies.

Já na esquina da Ministro Godoi com a João Ramalho, os hippies ficam lá na copa de uma nogueira, cantando Mutantes. Um deles, de vez em quando, se aventura a descer da árvore e ir comprar cerveja no bar do outro lado da rua. Não é que o coitado foi atropelado? O motorista não viu a placa "cuidado: travessia de hippies" e pegou o fulano de cheio. Quando eu cheguei, só vi a papete dele jogada no meio-fio. Parece que vão ter que amputar um braço. Chega de violão pra esse hippie.

E, apesar de conhecer as regras claras que proíbem pessoas de alimentar os hippies, todas as sextas, um grupo de hippies liderados pelo hippie-alfa, invadem um restaurante vegetariano self-service, jogam malabares com fogo e comem tofu que alguns clientes sensibilizados do restaurante oferecem.

Um documentarista foi parar num hospital outro dia num confronto entre duas facções de hippies que brigavam por território em volta da faculdade. Os hippies de história brigavam pelo espaço de montar sua barraca de livros usados, quando os mais selvagens hippies do curso de artes do corpo, atacaram ferozmente a bancada, derrubando uma cópia de "Meninos Verdes" autografada por Cora Coralina. Depois disso, a situação ficou incontrolável quando o documentarista foi avistado e aos gritos de "facista", teve sua câmera roubada e transformada em cinzeiro artesanal.

Essa época do ano é um perigo. É primavera. Os hippies estão fazendo ninhos, acasalando e fazendo rematrícula. Todo cuidado é pouco.
 
03 novembro 2004
posted by Paulo Vivan at 10:22 PM

PARA MORAR SOZINHO

Definitivamente, não tenho vontade de morar sozinho. Nenhuma. Simplesmente não vale a pena. Acredito que o ser humano não foi feito para morar sozinho. Afinal, de que vale uma existência se não tem ninguém pra incomodar, reclamar ou limpar a sua sujeira? De nada! O ser humano gosta de incomodar os outros. Isso lhe traz respostas emocionais.

Não deve ser nada legal ser um ermitão, por exemplo. Não toma banho, ninguém reclama do cheiro. Se quiser incomodar alguém, pode até jogar uma pedra num passarinho, mas o resultado será sempre o mesmo. E toda a individualidade desaparece. O ermitão só faz sucesso se tem alguma vila ou cidadela perto. E mesmo assim, é cada vez menos popular.
Estatisticamente, todos que moram sozinhos desistem cedo ou tarde. Por exemplo:

Não moro mais sozinho porque:
13% - conta de luz é muito cara.
12% - perdi as chaves de casa.
18% - vejo vultos e ouço vozes e falo comigo mesmo.
20% - uma cigana me parou na rua e falou que era o melhor a fazer.
21% - morri.


Esta pesquisa não tem caráter científico, mas, qual tem hoje em dia? Preciso escrever um diálogo, esses pensamentos estão me matando.