25 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 1:50 AM

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

- Filho, senta aqui, deixa eu conversar com você.
- Fala, pai.
- O que você quer ser quando crescer?
- Quero ser jogador de futebol.
- Filho, não é assim... Sabe quanta gente tenta ser jogador de futebol? Gente demais! E tem que ser muito bom mesmo, e, sinto muito filho, você não é bom o suficiente. Escolhe outra coisa.
- Ah... Quero ser... Veterinário!
- Você já olhou suas notas, filho? Eu sei que você está na quarta série, falta muito, mas não acho que você vá conseguir passar em algum vestibular de veterinária. E outra, você acha que, se ainda conseguir passar, que eu vou pagar sua faculdade? Não acho que estarei vivo até lá com essa poluição de hoje. Vai, escolhe melhor, filho.
- Pô, pai... Assim é difícil... Ator?
- Filho meu não é viado! Próxima.
- Polícia?
- Sem brincadeira, filho. Vai dizer que a próxima é astronauta?
- Mas é!
- Tá, tá. Fala sério agora.
- Não sei mais, pai...
- Filho, vou te dar uma dica... Contabilidade! Isso tem futuro! Você vai ser muito feliz, terá muito trabalho, afinal, conta pra pagar todo mundo tem.
- Mas, pai...
- Marília!!! Vem ver que legal! O Fabinho quer ser contabilista!!!
 
22 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 5:25 PM

DIÁRIO DE UM PORTEIRO

Hoje a Dona Marília do 7º andar me trouxe o resto da pizza. O que ela pensa que sou? Cachorro? Se bem que estava boa. Nem estava tão fria. Mas não sou cachorro! Vagabunda.

Olha só o moleque do 4° andar, ele acha que é todo respeitador comigo. Sempre é cordial, sempre me cumprimenta. No meu primeiro dia aqui ele apertou minha mão, perguntou meu nome e me desejou boa sorte. Etão ficou assim, conforme os dias foram passando:
"Bom dia, Dilton. Tudo bem?"
"Bom dia, Dilton."
"Bom dia"
"B-Dia"
"Dia"
E agora é algo que só pode ser descrito como um grunhido, um "rhe" ou "rha". Moleque idiota.

O seu Antônio do 112a é insuportável. Com todo aquele papo de "E o seu time, hein? Tá mal, hein?". Toda vez que tem um maldito jogo ele interfona pra falar alguma merda, algum comentário infeliz. Porra, eu nem gosto de futebol! Foi só responder pra ele uma vez qual era o meu time que entro nesse papo que não acaba nunca.

Não gosto nem de lembrar daquela Sabrina do primeiro andar. Que vadia. Cada dia tem um cara novo pra sair com ela. Ela deve ser o principal foco de doença venéria do condomínio. Fora que se acha pacas. Tomara que chova hoje, vou estragar a chapinha dela, quando ela sair correndo pro portão, vou fingir que o botão não funciona.
 
15 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 1:42 PM

DEBAIXO DO SOL

Não é algo pretensioso desejar algum tipo de conquista na vida. Todos que conhecemos procuram o mesmo. Tudo que você faz ou cria tem interesses próprios. O mundo é feito por interesseiros e não sei porque esta palavra ganhou má reputação. Logo, o nosso interesse pessoal pode ser bom ou ruim, mas a culpa é nossa, não da palavra. Eu sou interesseiro, sempre.

Odeio o fato de haver pessoas que, supostamente, possam ver o futuro. Isso tira qualquer senso de realização e poder individual. Se eu já souber queconquistarei ou realizarei algo, que poder realmente eu tenho nessa realização? Já que está "escrito", posso me recostar e esperar chegar, simples assim. Que papel você tem na sua vida, se existe tal coisa como um destino? Não quero que a minha vida seja um album de figurinhas, todo numerado. Eu quero meu papel em branco.

Um lugar ao sol pra todo mundo não é fama, nem dinheiro. É diferente pra cada um. Basta você chegar lá, ache seu caminho e ponto. Você realmente gostaria de pensar que nesse futuro pré determinado, num mundo em que todos tem um destino, esses lugares já estariam reservados pra uns e outros? E que, você, por mais que se esforçasse, nunca iria conseguir seu lugar, afinal, reserva é reserva e seu nome não está na lista. Boa sorte da próxima.

Não acredito em destino da mesma maneira que não acredito em talento. Talento compreende que alguém possui um dom, algo inato ou divino que faz essa pessoa possuir algo que as demais não têm. O quão injusto é isso? Talento não existe, acreditem. O que existe é habilidade. E todos tem a mesma capacidade de fazer qualquer coisa. Não existe um punhado de pessoas tocadas pelos deuses. O que eu faço, você pode fazer, com treino e trabalho. Assim, como eu posso fazer o que você faz. Se não acredita nisso, você provavelmente não acredita que é capaz de muita coisa.
 
14 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 10:58 PM

NARRADOR EM TERCEIRA PESSOA

Se um dia eu ficar podre de rico, umas das coisas que irei implementar em minha coleção de dvds será o comentário de idiotas. Eu reuniria as coisas mais imbecis capazes de serem ditas numa sala de cinema e contrataria alguns atores para ler essas maravilhas durante o filme. Aquela sensação maravilhosa de assistir um filme com seu tio-avô senil do lado.

Sim, esse tipo de coisa pode estragar um filme facilmente. Especialmente se todos os idiotas da sala de cinema estiverem em sincronia. Nesses casos, ou a platéia é composta de pessoas que não foram pra ver o filme ou é composta de pessoas que viram o cometa Halley duas vezes.

Não que ser velho seja um crime, velhos são ótimos! Mas, convenhamos que alguns já esqueceram as regras de etiqueta de um cinema. Então, toda vez que algum ator aparece, você é agraciado com as palavras "Esse é o Tom Hanks", "Agora ele vai achar o morto", e "Esse é o Wesley Snipes" assim que o Denzel Washington aparece na tela.

Eu nunca entendi a dificuldade de se comportar no cinema. Certo, eu cubro a cara com uma blusa quando vejo propagandas idiotas e falo demais durante os trailers, aliás, falo, me contorço e sofro, especialmente durante os nacionais. Mas assim que o filme começa eu calo a minha boca e me comporto. Exceto durante o Batman Eternamente, quando Robin bate no vilão e diz uma sequência de "isso é pelo(a) meu(minha) (parente)" eu gritei "Isso é pelo Chico Mendes"! Não peço desculpas por isso, foi uma vez só. Mas nunca cheguei ao ponto de tirar as minhas calças e jogá-las na tela no meio do filme e gritar "eu fiz merda, caralho!". Também nunca vi ninguém fazer isso... Mas ficar quieto e respeitar os outros espectadores é o mínimo.

 
09 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 1:32 PM

PAULO VIVAN IS DEAD

Não é sempre que penso na minha morte. Mas, quando penso, vou até o fim. Qual é a graça de morrer se ninguém dá a mínima pra você? Se ninguém comparece ao funeral ou enterro? Se ninguém chora ou ri ou relembra como você era um cara legal ou filho da puta?

Tomarei as devidas providências para que, no caso da minha morte, as pessoas fiquem completamente devastadas e deprimidas. Cada um dos meus amigos e conhecidos já cadastrados numa falsa lista de avisos de data de aniversário receberá uma fita de vídeo no evento de minha morte. "Paulo Vivan - Melhores Momentos" ou "Paulo, um cara legal". E um desfile em câmera lenta de anos e anos de imagens de videos caseiros e fotos, sublinhados pela trilha sonora "Somewhere over the rainbow/It's a wonderful world" de Israel Kamakawiwo'ole. Também receberão um display meu, em tamanho real. Pra colocar atrás da cortina, sabe como é.

Se alguém não tiver chorado até nivéis perigosos então, receberá uma visita de um advogado. Esse advogado lerá então uma carta, escrita por mim quando era vivo. Nessa carta ressaltarei todas as qualidades que esse meu amigo ou conhecido tinha, o quanto essa pessoa era maravilhosa e como eu adimirava ela. Louvarei o valor de sua companhia e amizade, e em todos esses anos difíceis, ela sempre esteve lá, quando eu precisava, mesmo que seja a maior mentira da face da terra. Termino dizendo que o pior da morte e estar longe dessa pessoa. Para sempre.

Não vejo a hora de morrer!
 
08 setembro 2004
posted by Paulo Vivan at 1:02 PM

BELA PORCARIA

Bom, taí. Novo template, mais tosco do que nunca.

Tosco é chique.

Me amem, pois agora é claro.