29 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 12:28 PM

ERA UMA VEZ EM CURITIBA
ou Paulo Vivan não sabe o que é frio


Depois que eu vi a estátua do Cavalo Babão, acho que tudo fez sentido. Quero dizer, pelo menos na minha cabeça. Dias antes eu já tinha andado num cavalo mêcanico, tipo Seabiscuit (Alma de Herói), num fliperama em outra parte da cidade.
Perdi minhas lentes de contato, uma no Parque Tanguá e outra no Bariguí, todas nos lagos. Na segunda, testemunhas ainda disseram que uma carpa comeu a lente. Pelo menos era gelatinosa. E por falar em comer/beber, nunca tomei tanto café em minha vida. Quando cheguei em São Paulo não conseguia nem colocar a chave na fechadura de tanta tremedeira.
Mas o melhor mesmo é o contato pessoal, novas pessoas que conheci... Primeiro o garoto do pano de prato:
- Quer comprar pano de prato?
- Não, não quero. - diz Bruno.
- Ignorante!

Uma graça de menino. Depois de ter ido com 10 mulheres à uma festa de travestis no sábado, resolvi ficar mais alguns dias. E então, na segunda, juntamos a galera para tomar (mais um) café. Além do Bruno, Evelyn, Fer, Tita, Carne, e minha anfitriã Teka, fui muito bem recebi por um cafetão - impecável, diga-se de passagem - que prontamente solicitou um show de lésbicas para o nosso divertimento. Foi um bom show, mas resolvemos ir para outro. E lá encontrei uma menina que conheço mas não conheço, a Gi. Fora as pessoas que não tem link, ou pelo menos por enquanto, Simone, Cassiano e minha co-anfitriã Isabela. Também não posso esquecer de Anne e sua filhota e minha futura esposa, Alanis de 4 anos. Atenção, isso não caracteriza pedofilia, afinal, a vontade vem dela. Eu estou na minha.

Depois que cheguei em São Paulo, respirei fundo, tossi. Entrei no prédio e dou de frente com a vizinha, desesperada na portaria do prédio, pois sua filha havia sido assaltada. Duas horas depois eu estava com febre alta. É assim que eu gosto de voltar pra casa depois de uma boa viagem!

UPDATE: E sim, tomei Pepsi X. É Pepsi com aditivos não liberados pelo Ministério da Saúde, mas é bom.
 
20 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 11:17 PM

A VIOLAÇÃO DA EXPECTATIVA
 
Só passamos a perceber os textos medíocres quando todos escrevem da mesma maneira. E por medíocre eu digo os medianos, os que não se destacam, os que ficam na margem segura. Não são brilhantes, nem são ruins. E parece que este arroz sem tempero invadiu nossa leitura por todos os lados. Sim, seguramente o brasileiro lê muito mais hoje do que lia poucos anos atrás. E também, com a falicidade e o hábito da leitura aumentando, aumentam os escritores.
 
Todos os dias, alguém, em algum lugar é considerado um bom escritor. Pode ver, começam com blogs, lotam suas caixas de comentários e, com uma rápida propaganda boca-a-boca, tornam-se conhecidos. Elogios e cumprimentos depois, já é um grande escritor. Genial. A incrível habilidade da elevação do ídolo pelo público se concretiza. E, diabos, quem é ídolo, vende! Dê um contrato de livro pra esse novo imortal!
 
Logo o autor extrapola para o mundo físico e está nas prateleiras. Mas, e o texto? Certo, fulano agora é celebridade literária, mas escreve sobre o que? É um grande escritor? Ou é mais um dos milhares que escreve de cotidianidades, as mesmas, aquelas que "eu me identifico tanto"? Sera mesmo que esse texto do dia-a-dia, tão difundido em blogs, vale algo que eu levo na mochila, leio no ônibus ou na cama? Talvez. Vai ser algo bom? Médio.
 
O cotidiano é pífio e medíocre. Homero não escreveu sobre os dias que ele cortava a unha do pé com destreza ou como era cheiroso o banho de azeite. Eu é que não queria ler isso. A bíblia fez sucesso por que? Pessoas morrendo, efeitos especiais, heróis e uma grande missão. Ou Nabokov escrever sobre uma garota que não quis transar com ele e então ele ficou chateado. Sensacional! Melhor ainda, Dostoievsky reclamando do frio, em 500 páginas - salvo o capítulo do banho quente.
 
Grandes textos, bons escritores e livros nos inspiram, contam histórias maiores que nós e, mesmo nas pequenas histórias, mostram que o ser humano é muito mais do que um conjuto de ações sem volume. São histórias que nos assombram e maravilham, que ficam conosco dias depois de ter lido, histórias que nós lembramos de tempos em tempos e que vivem com pernas próprias fora do texto. Agora, você lembra quando foi a última vez que isso aconteceu com você com um texto de um desses grandes escritores de blogs?
 
Dá próxima vez que alguém lhe disser que fulano escreve bem, preste atenção. Fulano escreve bem ou só escreve?
 
13 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 4:58 PM

EU BEBI DA ÁGUA PRETA

Sabe aqueles dias bem quentes, mas quentes mesmo? Você vê o vapor subindo da calçada, vê o seu reflexo melado do espelho e os efeitos de um banho não duram mais do que cinco minutos. É quando as caixas d´'água secam e tudo que sai da torneira é uma água marrom, suja de ferrugem do cano que foi instalado junto com as fundações da própria cidade, anos, décadas e talvez séculos atrás. Mas não se engane. Essa é a água marrom.

A água marrom, depois de algum tempo evapora. Mas não por completa. Sabe, a água já está tão suja, tão cheia de impurezas que as moléculas da água já formaram uma ligação instável com a sujeira. Instável, mas uma ligação de qualquer maneira. E pronto. A água se torna preta.

Talvez nem seja mais água e sim um lodo, uma lama preta, gordurosa e sedimentosa. Ainda fluida, fluida o bastante para que pequenos animais desesperados por umidade tentem se aproveitar do pouco da água original que originou esta pasta. Em tempos de escassez e perigo, os animais são capazes de feitos realmente marcantes. Mas, nenhum animal, em pior situação, beberia um gole dessa água preta.

Até o dia que o meu irmão disse:
- Duvido.

E não. Não dava pra deixar pra lá.
 
08 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 4:21 PM

Todo nós encontramos vilões, durante toda nossa vida. O difícil é reconhece-los, apontá-los e por fim destruí-los. Mas, ainda podemos contar com heróis. Heróis que nos defenderão sem questionar o que, quando, porque e quanto.

Um vilão em especial, vem se tornando muito notório. Huy Zing. O Lex Luthor do Orkut. E só uma pessoa poderia nos salvar de seus planos nefastos de roubar todas as comunidades do Orkut. Mr. T!!! Então, por favor, prestigiem esta criação minha:

Mr T vs Huy Zing


E pra quem quer ver Mr T defender mais ainda nosso futuro, dêem um pulinho em Mr T vs Everything

Suckas!!!
 
07 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 12:18 AM

JAMAIS AMEI MAMÃE

George Michael já gostou de mulher. Ou pelo menos disse que sim. Eu, por outro lado, sempre gostei de mulheres. Mas jamais amei mamãe. E além de não amar mamãe, gosto do som disso. Jamais amei mamãe. Vamos lá, diga em voz alta: "Jamais amei mamãe".
Mas, claro, eu posso estar dando uma de George Michael. E na busca de efeito dramático, deixarei você, leitor, na dúvida.

Suposições seriam chatas num texto deste tipo. Esperaríamos emoções, confissões infantis, lembranças reprimidas e reclamações de opressão. "Sabe o que é, professora, eu jamais amei mamãe. Por isso sou um aluno bagunceiro." Isso me lembra do dia fatídico que fui expulso da sala na faculdade. O professor dizia que meu pai me oprimia em casa e eu me soltava na sala de aula. Bastou uma frase bem colocada: "Eu não tenho pai". Jamais amei mamãe e não tenho papai. Oh, a desgraça!

E um ode aos avós! Se eu tivesse sido criado pelos avós, provavelmente hoje seria ator. Eu sei, eu sei. Nunca é tarde. Pena que isso não aconteceu. Também não sou órfão. Isso teria me dado vocação para analista de sistemas, talvez. Ou programador. Jamais amei kernel.

"Somente a antropofagia nos une" dizia um velho adesivo que eu achava rídiculo. Ridículo antes de eu descobrir o significado e ridículo depois. Em meu âmago, eu secretamente esperei, ano após ano, por um grande trauma. Em minha desgraça, caio aos joelhos ao descobrir que, fatalmente, o trauma não virá. Um escritor sem traumas não é nada!

 
02 julho 2004
posted by Paulo Vivan at 10:49 AM

A MESMA COISA

The same thing that makes you laugh, can make you cry
And the same food you eat to live, can make you die
The same truth you though you heard, can be a lie
That's why the same thing that can make you laugh, can make you cry


>> "The Same Thing" - Sly & The Family Stone

- Aí, um surdo virou pro outro e disse "Ahn?" e o outro disse "O que??".
- Hahahahahahahahahaha!!!
- Cara, essa piada é a melhor. Sensacional!!!
- Obrigado, obrigado.
- Conta outra.
- Aí, um cego virou pro outro e disse "Você viu?" e o outro disse "Não. E você?".
- Hehehe!!
- Tá. Legal. Conta outra.
- Aí, um surdo virou pro outro...
- Não, não... esssa já foi.
- É. Conta uma boa, vai.
- Aí, um mudo virou pro outro e disse "Mmmmm" e o outro disse "Mmmmmmm".
- Heh.
- Que bosta. Vou assistir "A Praça é Nossa".

E então o Personagen Nº3 foi assistir "A Praça é Nossa". Assistiu um sábado, deu risada. Assistiu outro, achou que estava bom, mas nem tanto. Assistiu mais um e odiou.
E então o autor lhes diz:
- Eu trabalhei quatro anos e meio na "A Praça é Nossa".

...Check it out now... The same thing that can make you laugh, can make you cry...