25 maio 2004
posted by Paulo Vivan at 3:14 PM

EFEITO DOMINÓ

Se você já passou por aqueles canais religiosos - devem ter um nome tipo TV Deus, mas nunca prestei atenção - já viu aqueles desenhos "animados" bíblicos que passam o dia todo, intercalados apenas por eventos beneficentes apresentados por celebridades como Mara Maravilha.
E nesses desenhos, um garoto vira pra um cara gordo e mal desenhado e diz: "Olhe só o rio! Eu gostaria de poder andar sobre a água!" E o cara gordo naturalmente responde: "Sabe quem podia andar sobre a água? JESUS." Essa parte me fez rolar no chão de rir por 10 minutos seguidos. E por causa disso, eu passei dias repetindo e atormentando minha família com comentários, todos baseados nesse desenho "animado":
"Sabe quem mais odeia ninjas? JESUS."
"Sabe quem mais é ruim no Mario Kart? JESUS."
Esse canal faz da blasfêmia diversão pra toda a família.

Pronto. Agora grupos religiosos me odeiam.

A maior parte dos velhos, ou semi-velhos, meia idade pra frente tenta e tenta mexer com computadores. Pra que? Vocês não serão modernos. Vocês não farão parte da era da informação. Diabos, vocês nem sabem acertar relógios digitais!
Logo, fiquem longe da Internet. Não queremos seus corações fracos perto de pop ups eróticos. Não queremos vocês batendo papo com estranhos - aliás, vocês já não distinguem estranhos de amigos de qualquer maneira.

Pronto. Agora os velhos não falam mais comigo.

Claro, eu podia culpar todo esse meu rancor em antigos professores, afinal a escola é onde você passa grande parte da sua infância. Mas, eu adorava a escola. Adorava atormentar monitores, diretores e professores, só pra ver a cara deles quando perdem o controle. Adorava fazer redações que, ao mesmo tempo que eram boas, deixavam as professoras de cabelo em pé.
"Rógério, depois da revisão fiscal do ano , cheguei a conclusão que podemos ficar com a maconha, mas as prostitutas terão que trabalhar de graça."
Em algum lugar do Brasil, minha professora lê isso novamente e chora. De novo. Hilário, não?

Professores e educadores decidiram que me odeiam. Também.

E os acogueiros com suas roupas podres e facas sujas, fedendo a miúdos de galinha? E as socialites com suas roupas idiotas e cachorros floridos? E os políticos com suas promessas e mau hálito? E os programadores com sua vida sem sexo? E os seguranças com armas de brinquedo e crachás com chavinhas? E os diretores de tv, teatro e cinema, pansexuais fazendo teste do sofá com jovens atores?

Sabe quem mais odeia o Paulo? TODO MUNDO.
 
06 maio 2004
posted by Paulo Vivan at 11:23 AM

SORVETE DE LIMÃO

Eu comprei um sorvete de limão, ele derreteu na minha mão e o palito era de papelão.
Troquei o palito por um pirulito e o maldito caiu no chão.
Peguei do chão, mas aí um cão, saltou e pegou da minha mão.


Rimas. Heh.

Uma vez eu conheci um cara que tinha a fala ritmada. Foi morto por rappers num show de pagode. Isso é foi chamado de karma. O karma do de fala ritmada era morrer por quem canta versos. O karma do sorvete de limão é derreter nas bocas de quem não tem afta. Não tem contra-indicação.

O parágrafo acima não deve ser considerado. Desculpem.

Hoje eu vi um cara na rua, um camelô, vendendo gatos mortos. Eu perguntei se ele estava louco, ele disse que devia estar, por vender gatos mortos tão baratos assim.

Alguém me cutuca e me oferece a oportunidade de apresentar um show de stand-up comedy. Eu recuso, digo que não sei falar inglês, mentira, mas quero fazer charminho.

Não posso falar agora, só escrever. Cortei a língua hoje de manhã ao lamber uma tampa de danoninho.

Roll credits
 
03 maio 2004
posted by Paulo Vivan at 11:27 AM

SEM MARAVILHAS

Ele era blasé. E, por mais fresca que seja a palavra, blasé era o que lhe definia. Mas ele era blasé sobre isso também. Sobre tudo. Dorival era tão desencantado que, nem seu nome, relativamente feio, lhe incomodava. Alías, nunca incomodou.
E daí, Dorival levava sua vida, blasé, sem se importar com o que aconte...

Ah. Foda-se o Dorival.
Pau no cu do Dorival. Isso mesmo. Por que tenho que escrever sobre ele? Ele não se importa! Então, por que eu devo me importar? Se eu explodir a perna do Dorival ele não vai se surpreender. Se eu tacar fogo em seus pelos pubianos ele não vai ficar chocado. Se eu enfiar um gato no seu abdômen, por um corte que fiz na sua barriga com uma colher de plástico ele vai achar normal.

Então, Dorival, te faço um favor. Você não existirá. Surpreso?
- Não.
Ah, cala a sua boca.