Preocupar-se com a guerra. Parece-me que as pessoas realmente estão preocupadas, e acima de tudo, ultrajadas. Há os que se preocupam com a liberdade mundial, e existem os que se preocupam com a ordem. Alguns se preocupam com a economia, com a destruição, a democracia e a prosperidade. Que tal olhar para as pessoas?
UE, EUA, OTAN, ONU. Grandes siglas, pequenas ações. Alguém tinha dúvida que algum dia os Estados Unidos iriam invadir algum país do oriente médio e ganhar um pouquinho a mais de petróleo, nesses últimos anos desse líquido negro? Afinal de contas, todos sabemos que logo, logo, não teremos mais petróleo. Isso se chama "queima de estoque". Você já deve ter ouvido falar.
Então por que o espanto e o horror? Os comentários inflamados, a piedade, a violência gráfica, e os depoimentos de especialistas e sobreviventes. Uau! Quanta novidade! Será que você realmente iria estar se importando com tudo isso se a CNN - que já cobriu uma guerra no oriente médio, e faturou muito com isso - não estivesse ansiosa para repetir essa cobertura? E junto com ela, outra emissoras também vão no mesmo bondinho.
"Já sei, vamos gravar a esquina da Av. Paulista com a Brigadeiro 24 horas por dia. Com certeza, em algum momento, algum carro vai bater ou alguém vai ser atropelado. daí vamos ter as imagens em primeira mão". Essa é a mentalidade dos chefes de jornalismo. Só mude o cenário. É o triunfo da representação sobre o representado, a guerra vale mais do que o povo que luta por ela. Ah, e isso no Iraque não é guerra. É invasão, clara e simples. Invadir, depor e conquistar. Ninguém condena conquistadores, só assassinos.
Você quer guerra?
No final dos anos 90, na antiga Iugoslávia houve uma guerra. Sérvios aterrorizavam os Albaneses. A limpeza étnica de Kosovo consistia em: expulsão à força dos Albaneses, roubo, prisões (campos de concentração iguais ou piores do que os da segunda guerra mundial), queimada de lares, execuções sumárias, exumação em massa de corpos, estupro sistemático e organizado, e um novo tipo de limpeza étnica - apagar identidades. No fim do século 20, guerra entre soldados uniformizados lutando entre si é muito rara. A onda agora é que 90% das mortes associadas a guerra são de civis. Afinal em Kosovo, a guerra era entra soldados e população, população contra população. Alguém se importou?
A ONU mandou bombardeiros para a Iugoslávia para esfriar a coisa. Mas isso só fez os Sérvios usarem os Albaneses como escudo humano, facilitando assim o trabalho "deles".
Não houve preocupação mundial da mídia, das nações ditas desenvolvidas, e consequentemente dos povos, sobre a situação em Kosovo. Não haveria porque. Não tinha território envolvido na briga, só alguns povos, algumas pessoas.
Guerra é sobre território. Não povos.