25 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 7:11 PM

Amigos, só no ano que vem agora. Vou para o meu retiro espiritual e espero voltar com o segredo do universo ou uma receita de bolo.

Então, até.
 
18 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 1:25 PM

Onde estão os clássicos filmes de natal que surgem nesta época? Não vejo quase nenhum em cartaz. De qualquer maneira, influenciado pelos recentes eventos, tive uma idéia para um filme.

SADDAM E O POVO TOUPEIRA - UM CONTO DE NATAL

Basicamente, temos Saddam Hussein vivendo no seu buraco no chão, se escondendo do resto do mundo. Sabe, Saddam está bem triste, porque é quase Natal e seus filhos estão mortos. Mas justamente quando ele está se sentindo o último dos seres, uma toupeira humanóide entra no buraco e diz, "Qual o problema, Saddam?" E Saddam diz, "Sabe, Sr. Toupeira Humana, parece que todo o mundo está contra mim." E o Sr. Toupeira pisca e diz, "Parece que alguém esqueceu o verdadeiro significado do Natal!" E aí eles cantariam sobre doces e panetones.

Então o Toupeira Humana levaria Saddam para Toupeirópolis, uma gigantesca cidade subterrânea habitada por milhares de Toupeiras Humanas, e ele mostraria para Saddam todos os Bebês Toupeiras cantando musicas natalinas e desembrulhando presentes. E Saddam primeiro ficaria tipo, "Foda-se, cão infiel," para todos, mas depois de um tempo ele seria vencido pelo espírito natalino e começaria a cantar e dançar. E quando a cidade estivesse prestes a ser destruída por um rio de lava, Saddam usaria a árvore de Natal para desviar o fluxo da lava, salvando o Povo Toupeira. Aí teríamos mais uma canção. O Povo Toupeira explicaria para Saddam que sem a árvore de Natal, O Papai Noel Toupeira não poderia vir trazer os presentes, e isso obviamente seria a coisa mais triste possível. Então, Saddam teria que sair para a superfície e encontrar uma nova árvore de Natal, mas Donald Rumsfeld o pegaria.

E essa seria uma cena muito triste, mas aí Saddam canta uma música mais triste ainda sobre passar o Natal sozinho, e todos ficariam muito comovidos e decidiriam que Saddam não é um cara tão ruim afinal de contas. Mas Rumsfeld ainda odeia Saddam, então decide matá-lo de qualquer maneira. Momentos antes dele atirar, um trenó cai dos céus e bloqueia o tiro. Todos percebem então que o trenó é guiado por uma Toupeira Humana com roupa de Papai Noel, e talvez Jesus também, e eles finalmente passam a acreditar no Papai Noel Toupeira. Então, Saddam sobe no trenó e eles voam pelos céus da noite iraquiana para entregar os presentes.

E Donald Rumsfeld fica olhando eles irem embora, mas não dá pra saber o que passa em sua cabeça. Um de seus soldados põe a mão em seu ombro de diz, "Nós o pegaremos, Don." E uma única lágrima de felicidade corre pela face de Rumsfeld e ele diz, "Não, Bob, não vamos". Então ele bate continência para o Papai Noel Toupeira e todos comemoram.

Esse é o filme. Acho que ia ficar legal.
 
15 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 2:02 PM

Alguém já notou como crianças não caem mais em buracos como antigamente? Toda semana, alguma criança, em algum lugar, ficava presa num buraco e causava o maior alarde na região. Bombeiros, equipes de reportagem, curiosos, todos corriam para o local. Era clássico. O bairro ou cidade se unia, causava um verdadeiro sentido de camaradagem e cidadania. Sinto falta disso. Sinto tanta falta disso que resolvi tomar uma atitude.
Dei uma volta pelo bairro procurando um buraco ideal. Não achei. Então resolvi fazer um. Passei a madrugada cavando numa pracinha com um trepa-trepa, um gira-gira e um escorregador. Isso me deve garantir algumas crianças. Terminei o buraco, cobri com papelão e pronto. Agora é só esperar.
Do alto do trepa-trepa, dava pra ver direitinho o buraco. Estranhamente as crianças evitavam a armadilha. Droga. Fui até a banca de jornal e comprei alguns cards do Pokémon. Coloquei-os em cima do papelão, mas nenhuma criança pegava. Perguntei pra um guri se ele não gostava de Pokémon, e ele disse que o lance agora era Yu-Gi-Oh!. Comprei outros cards e troquei pelos antigos. Cinco minutos se passam, um garoto caí no buraco. Sucesso! Ligo para a polícia, para o Cidade Alerta e para os bombeiros. Quinze minutos depois, uma multidão começa a se formar, pessoas gritando, as câmeras prontas para rodar.
E teria dado tudo certo se não fosse por uma mulher que entrou em combustão espontânea do outro lado da rua.
 
11 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 2:23 PM

BOAS FESTAS

Em todos os shoppings, a clássica decoração de Natal permeia todo canto, teto, vitrine e banheiro. Não só a decoração está presente, mas o Papai Noel, sua ajudante gostosa e um anão ocasional.
Mas o que seria do Papai Noel, sua ajudantes gostosa e o anão ocasional sem os consumidores do shopping?

- Boas festas,senhor. - diz a ajudante gostosa para um homem que passa perto.
- Caralho, não é meu aniversário!!
Enquanto isso na cadeira, uma criança senta no colo do Papai Noel:
- Papai Noel, Papai Noel, eu quero...
- Diga, meu filhinho. Ai, não se mexe muito que tá tudo doendo aqui por dentro... Ai.
- Eu quero... Ele! - o garoto aponta para o anão.
- Roberto, vem cá. - diz o Papai Noel para o anão.
- Fala, Sérgio, ops, Noel.
- Dá uma volta com o garoto, tipo test drive. Ai, que dor.
- Vem, moleque, vamos lá fora que eu preciso fumar.
- Boas festas, senhora. - diz a ajudante gostosa para uma mulher que passa perto.
- A senhora tá no céu, minha filha. Fique na sua senão eu armo um barraco por aqui. Se enxerga.
- Papai Noel, Papai Noel...
- ...
- Papai Noel? Você tá dormindo?? Mãe, vem acordar o Papai Noel?
- Filho, o que? Esse homem está morto!
- PAPAI NOEL MORREEEEEEU!!!
O garoto chora compulsivamente, assim como todas as crianças da fila que ouviram o grito. Dentro de minutos, paramédicos chegam no local. Colocam Papai Noel (Sérgio) num saco preto e dentro da ambulância. Nada mais podia ser feito. A ajudante gostosa segue na ambulância junto com o corpo do Papai Noel. Nisso, Roberto o anão, volta com o garoto.
- Caralho, o Sérgio, er, Papai Noel morreu!
- O que? - diz o garoto com o nariz já escorrendo - O Papai Noel morreu?!?
- É. Ele morreu. Mas amanhã tem outro, não se preocupa garoto. Nunca ouviu falar na Páscoa?
 
10 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 3:05 PM

UM PONTO-E-VÍRGULA ERA ESPERADO

Teatro. Monólogo. Um ator experiente em roupas cheias de babados e firulas despeja palavras num palco vazio, a não ser por uma caixa de madeira.

- O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi transformando em opressora asma cardíaca, os lábios grossos, o inferior um tanto tenso...
- Desculpe. - interrompe uma mulher sentada na platéia.
- O que?!
- Um ponto-e-virgula era esperado.
Todos no teatro ficam em silêncio.
- O que?! O QUE?! Você está louca mulher??!
- Não estou louca, não. Você que errou. Faltou um ponto-e-vírgula. Eu percebi. Agora se o senhor puder arrumar, podemos continuar com a peça.
- Ã-hã. Claro. Eu errei. Estou sendo sarcástico, percebeu isso também?
- Percebi, sim. Percebi também o itálico quando você disse "eu" logo agora. Sabe o que é eu tenho um dom. Consigo perceber a menor sutileza, variação e tonalidade de qualquer frase ou palavra. Não consigo evitar.
- Pois tente. Porque esta é a minha peça então a senho...
- Sublinhado. Minha peça.
- Senhoras e senhores, temos pessoas "especiais" na platéia.
- Aspas. Essa foi fácil.
- PARE COM ISSO!!
- Ops, o senhor deixou o Caps ligado.
- ...
- Reticências. Adoro reticências.
- Desculpe, desculpe. Onde eu errei mesmo?
- Coloque o ponto-e-vírgula entre "opressora asma cardíaca" e "os lábios grossos".
- ...quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso...

Alguém toma a liberdade e comenta com a mulher.
- Qual é o lance com aquela caixa de madeira, hein? Está lá no palco e não serve para nada.
- Shhhhhhhhh!!!
 
08 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 11:09 AM

PENSAMENTO DOIS PONTOS

Eu posso pensar que eu estarei:
a) correndo a maratona São Silvestre com uma máscara do Paulo Maluf;
b) tocando o interfone da casa de Paulo Maluf e apanhando dos seguranças;
c) consultando um terapeuta sobre minha súbita fixação em Paulo Maluf.

Deve ser o sotaque. Logo isso passa. Ainda prefiro o sotaque de indianos falando inglês. Também gosto de pensar que um dia vou pra Índia e que lá:
a) passarei duas semanas sem ir ao banheiro;
b) comerei um hamburguer e vou horrorizar a nação;
c) cantarei "Brincar de índio" em falsete da sacada do hotel.

Mas nem isso me deixaria satisfeito. Esse lance de sacada de hotel me lembra de duas pessoas:
a) Michael Jackson e seu bebê;
b) Axl Rose e sua cadeira.

Vou de "b". E Axl Rose, o ícone de uma geração que não seguiu ninguém, não joga mais cadeiras de sacadas há um bom tempo. Que esperanças mais podemos ter de nossos ídolos? Que esperanças mais podemos ter de Axl Rose?
a) Que seu primeiro filho chame-se Ctrl Rose;
b) Que seu segundo filho chame-se Alt Rose;
c) Que seu terceiro filho chame-se Del Rose.
 
05 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 11:45 AM

NATURALMENTE

Seu Romano tinha um quintal. Sabe como é. Nem todo mundo tem quintal nesses dias. Especialmente em São Paulo. E Seu Romano era muito preocupado com a questão do desmatamento, com a perda da Mata Atlântica, com todo esse "lance ecológico".
Naturalmente, como sua avó havia ensinado décadas atrás, toda arrumação deve começar pelo próprio lar. Então Seu Romano deixou a natureza tomar conta do seu coração e do seu quintal.

Quatro meses depois
O quintal de Seu Romano já parecia um capinzal. O mato chegava na cintura. Estava bem cheio, algumas árvorezinhas surgiam no meio do matagal. Mas algo faltava. Seu Romano entrou em casa e ligou no Animal Planet. Animais! Sim! Ele precisava de animais! Então ligou para um amigo seu de infância que trabalhava com contrabando de animais silvestres. Encomendou duas onças, quatro antas, cinco esquilos e três papagaios. Foi lindo quando Seu Romano soltou os animais no quintal. Uma onça foi direto para o muro, explorar a vizinhança e a casa do vizinho, enquanto a outra foi direto estraçalhar uma das antas. "É a lei da natureza" dizia Seu Romano. Já os esquilos e papagaios, Seu Romano nunca mais os viu.

Sete metes depois
Enjoado do visual capinzal pantaneiro, Seu Romano encomenda alguns pinheiros e árvores enormes. Ele adorava o visual floresta temperada americana. Uma pedra gigante e um lago artificial completam a paisagem. Apesar das ameaças de morte da vizinhança, e dos constantes ataques surpresa, nos quais já havia quebrado duas costelas e uma perna, Seu Romano não iria parar seu projeto de conservação. Especialmente agora que sua mais nova encomenda havia chegado: um urso pardo e um panda gigante. E sim, o panda gigante não vive nesse habitat, mas que Seu Romano achava que ia ficar lindo.

Três dias depois
Uma das onças volta para o quintal, mata o panda gigante e leva pra dentro da casa de Seu Romano, que havia deixado uma das janelas abertas. O urso pardo, sentindo o cheiro da carne fresca, arromba a porta da casa de Seu Romano e o encontra estirado no chão da cozinha. Ele havia sofrido um infarto. O urso fica em cima do corpo de Seu Romano, faz massagem cardíaca e respiração boca-a-boca, mas não tem resposta. Nisso, bombeiros e policiais arrombam a porta da frente e encontram o urso com sua boca na face de Seu Romano. Matam o urso a tiros.

Epílogo
O casal de onças agora vive debaixo da ponte, numa caixa de papelão e tem mais três cachorros de estimação. Esperam filhotes para janeiro.
 
01 dezembro 2003
posted by Paulo Vivan at 7:21 PM

TODA A CULPA DO MUNDO

O dia começa com uma ida à padaria. Na entrada, o padeiro já me olha torto. Chega do meu lado e diz:
- Valeu mesmo, Paulo. Você conseguiu mesmo estragar tudo.
- O que? Como assim?
- Não temos pão hoje, graças a você. Agora não temos nada para vender! Parabéns, mesmo.

Deve ser um caso isolado, eu pensei. Nada disso. Na banca de jornal, a mesma coisa.
- Viu só a notícia de hoje, Paulo? O dólar passou dos 4 reais! Parabéns, mesmo. Você conseguiu.

E no supermercado. Primeiro uma velhinha.
- Desgraçado! Olha só o estado desses tomates, estão horríveis!! Tinha que ser você, Paulo. A culpa é sua!

Depois o gerente.
- Paulo, é melhor você sair do supermercado. Você não consegue ficar na sua, não é? Agora a geladeira não funciona. Você é o culpado, Paulo. Agora todos os produtos resfriados vão apodrecer. Parabéns.

Alguém passa num carro e grita alguma coisa pra mim. Não deu pra ouvir direito, mas já imagino o que ele quis dizer. E o dia continua, e a mea culpa também.
Decido então fazer uma doação. Vejo um garoto de rua e lhe dou um real.
- Sabia que dando esmola, você contribui para a pobreza? Você tem mesmo é que doar o seu dinheiro para instituições de caridade. Vou aceitar este um real. Mas, não se esqueça, a culpa é toda sua.

Mais alguns metros na frente, cruzo com uma garotinha.
- Ei, moço.
- Tá, tá, já sei. A culpa é minha, estou acostumado. Fala, vai, o que é minha culpa agora? AIDS, pop, repressão?
- Não é isso. Tem um papel colado nas suas costas.