27 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 10:55 AM

33 graus centígrados na capital São Paulo. Vou pegar um Penha-Lapa, ir até Corinthians-Itaquera, comer uma dobradinha.
Vou andar nas calçadas com o desenho do estado, vou entrar num bingo e jogar 8 reais.
Vou na 25 de março, pechinchar com os coreanos, conversar com os turcos, comprar passagem pro Paraguay.

Acho que sim. Estou resolvendo ainda, não é certeza.
 
24 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 2:32 PM

VELHOS AMIGOS

Dois velhos, amigos de longa data, estão dentro do ônibus. Passam em frente de um baile da terceira idade.
- Olha só, Zé. Podiamos vir aqui. Neste final de semana. Mas, temos que pegar os convites antes.
- Puxa Nelson, faz tempo que eu não danço, eu sempre adorei dançar... Dançava de tudo...
- Aí, nós pegamos os convites e paramos naquele boteco logo ali em frente. Tomamos uma cerveja e comemos uns salgadinhos... Se bem que eu não tomo cerveja nem como salgadinho.
- Eu sempre dançava lá naquele baile do BNH... Aquele sim era legal, tinha todo o pessoal do bairro.
- E outro dia eu estava no médico, foi quando eles colocaram a sonda no meu pênis. E o médico ficava ensinando os estagiários e eu lá com vontade de fazer xixi. Isso foi depois que me operaram a próstata.
- Teve também uma professora de tango. Ela ficava sempre dizendo como é que eu tinha que segurar a mão dela.
- Médico desgraçado. Desde então, eu só vou no dentista, não importa o que eu estou sentido. Se tenho dor de barriga, vou ao dentista. Dor no olho, vou ao dentista. Bem que a minha esposa dizia: "Cuida da boca e o resto tá bom, você vive pra sempre." Mas ela morreu atropelada, que Deus a tenha. Mas tinha um sorriso lindo no caixão.
- Sempre tem a Isolda da Lapa que dança comigo, lá no BNH. Ela dança muito bem, sabia? Fico horas esperando pra dançar com ela. Agora ela pintou o cabelo, está meio roxo, mas que senhora bonita.
- A idéia foi minha mesmo de fazer ela sorrir no caixão. Muita gente ficou perturbada. Meu filho não gostou, não. Mas quer saber, com aquele sorisso dela, quem é que não ia ficar com saudades?
- Bom, meu ponto chegou, a gente se fala.
- Tá certo. Manda um abraço pro seu filho.
- Hein?

Fecha a porta do ônibus.
- Droga. Desci no ponto errado.

Dentro do ônibus:
- Ei, perdi meu ponto!
 
20 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 3:55 PM

TIROS NA TV

Meu novo blog.

Róliudi

E este continua.
 
17 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 12:21 PM

LOÇÃO PARA AS MÃOS

Quando chegou nas lojas, não demorou muito para as mulheres perceberem. Estava em promoção. E todas compraram. E indicaram. E usaram. E compraram mais. Loção para as mãos. Não lembro o nome, afinal de contas, sou homem.
Enquanto todas as mulheres da cidade esfregavam as mãos de maneira frenética, parecendo um vilão de filme B, os homens continuavam seus afazeres (tomavam cerveja). E tudo estava lindo na cidade. Até que a hora do almoço chegou. E não havia almoço. A única coisa que havia na cozinha era um pote imenso de loção para as mãos. E suas respectivas mãe, tia, irmã, avó, esposa, namorada, todas esfregando as mãos, hipnotizadas.
Nem conversavam. As que fumavam, não fumavam mais. Não dava tempo. Só estavam na cozinha, porque alguém disse que lá é que é lugar de mulher. Mas o que importa o lugar, o que elas queriam era esfregar as mãos com aquela maravilhosa loção. E isso deixava os homens numa situação delicada. O que eles iriam comer, se as mulheres todas estavam ocupadas demais (atenção: duplo sentido nesta frase)?
E o que os homens fazem quando a comida não está pronta? Lêem o jornal, e foi isso que todos fizeram. Mas o jornal acabou, e não tinham mais nada pra ler. Então começaram a ler tudo que encontravam pela frente. Livros, revistas masculinas e femininas, manuais, receitas (mas não entenderam nada), verso de shampoo e até que encontraram algo interessante. A bula da loção para as mãos.
Vide bula. Vários nutrientes e vitaminas. Em caso de ingestão, a loção não fará mal a ninguém. Na verdade, tem gosto de salgadinho Torcida Calabresa. Então, enquanto os homens comiam a loção para as mãos (junto com cerveja) e absorviam todos os nutrientes que precisavam para sobreviver, as mulheres continuavam esfregando suas mãos, absorvendo pela pele todos os nutrientes que precisavam para sobreviver. Até que a loção saiu da promoção. Aí ninguém mais comprou.
 
11 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 11:00 PM

MAS ENTÃO, PAULO... O QUE VOCÊ ACHOU DE MATRIX?

Vamos lá. Se você não viu o filme, eu faço um resumo. Não se preocupe, não vou estragar nada. É mais ou menos assim:
----------------------------------
- Isso é impossível!
- Não, não é.
----------------------------------
- É inevitável.
- Você está louco.
----------------------------------
- Vamos todos morrer.
- Não vamos, não. Acredite.
- OK, eu acredito.
----------------------------------
- E aí, e agora?
- Eu não sei. Você é quem tem a resposta.
- Não, não tenho.
- Olha, então se vira, porque eu não sei MESMO.
----------------------------------
- Neo!
- Trinity!
----------------------------------

Pronto. Você acabou de assistir Matrix Reloaded/Revolutions. Agora imagine um plano de fundo que vem com o Windows ME (Matrix Edition) , um nascer do sol bem colorido, cheio de rosa, bem feio mesmo. Esta será a última imagem que você verá no filme. Aí entra uma música que dá pesadelo até em frequentador de baile funk e pronto! Acabou.
Ah, e o que eu achei? Eu acho que o Morpheus é broxa. Quem mais anda com uma pílula azul - obviamente Viagra - no bolso? A pílula vermelha deve ser Cataflan. Já o Neo sofre deve ser de Gêmeos, não consegue decidir porra nenhuma sozinho. Eu sei, porque sou assim. A única diferença é que não sou predestinado a nada, Deus me livre! Já a Trinity... Bem, a Trinity... "Oi, eu gosto de usar roupa de couro e quero conhecer rapazes mais novos que eu para noites de paixão". Entendeu?
Eu entendo todo o lance do amor/ódio com as máquinas. Eu também tive Atari. E por mais que você gostasse dele, tinha certas vezes que você queria mesmo é tacar aquela merda na parede. Cheguei até a lamber algumas fitas pra ver se funcionava, mas isso é uma outra história.
 
07 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 12:46 AM

ESTÁDIO, ÉS TÉDIO

Chuva, frio, noite, jogo de futebol da segunda divisão (me recuso a dizer "série B"). Esta foi minha estréia num estádio de futebol. Não fique impressionado se eu nunca mais voltar.
Não, eu nunca tinha ido assistir um jogo no estádio. Já tinha assistido jogo de colégio, de praia, de várzea e até de rua sem saída. Mas nada se compara ao estádio. É muito pior. Não gosto de assistir futebol, não tem jeito. Gosto de jogar, não gosto de assistir. Sou palmeirense por ser, não me pergunte o nome de ninguém. A não ser o meu, claro.
Mas, segundo testemunhas, me saí bem no estádio. Dicas para quem é marinheiro de primeira viagem:
-- Grite aleatoriamente: "Caralho!", "Corre, porra!", "Vai, filho da puta!"
-- Quando não souber cantar a música que a torcida está cantando, olhe fixamente para o campo como se estivesse prestando a maior atenção do mundo.
-- Se seu time fizer gol, pule e grite. Se for bola na trave, diga "uuuu!".

Também aproveitei essa oportunidade para testar novos palavrões:
-- "Vai chutar o saco da sua mãe!"
-- "Sua mãe tem barba!"

Agora pra completar a lista de "coisas que eu não gosto, nunca fiz, mas tenho que fazer" vou num ensaio de escola de samba. Alguém me impeça, por favor...
 
04 novembro 2003
posted by Paulo Vivan at 2:16 PM

ADORÁVEIS MULHERES

Por algum motivo que algum doutorando em pedagogia ainda está por descobrir, minha irmã teve que assistir o filme "Adoráveis Mulheres" (1949) e escrever uma resenha para o colégio. Fui incumbido com essa tarefa pois, definitivamente, não tinha nada melhor para fazer. Não me importo com essas quatro adoráveis meninas (não são mulheres) andando por aí fazendo coisas adoráveis. O filme é um saco, velho e datado e eu não recomendo para ninguém. O que segue são minhas anotações durante o decorrer do filme. Então, se quiser saber do que as "Adoráveis Mulheres" são realmente feitas, sigam-me ao inferno technicolor.



Relógio do DVD -- 05:06 -- Já posso dizer que isso será doloroso. Todos falam em pomposos tons teatrais, superemocionados feito loucos. Uma das garotas esquisitas fica falando direto para a câmera, e isso me incomoda. Isso parece apresentação de teatro comunitário na escola de deficientes mentais. Aposto que esse vai ser um daqueles filmes em que todo mundo perde um tempão sendo adorável e abraçando ao próximo. Os personagens já estão cantando. Este filme me odeia.

09:52 -- Vou fingir que me importo e listar os personagens. Jo é chamada de “tomboy” que nos anos cinquenta devia ser gíria para lésbica. Amy é a loira burra que cuja marca de personalidade é pronunciar palavras errado. Meg parece ser a mais adorável menina do grupo. Beth é a mais nova e eu já quero apresentá-la ao Jason X.

14:28 -- Deus, Elizabeth Taylor era gostosa naqueles tempos. Será que ela já posou nua? Vou dar um pause e procurar na internet. Sabe como é, pesquisa.

15:14 -- Maldição.

19:18 -- O display do meu DVD diz que menos de 20 minutos se passaram. Isso não é possível. Eu já estou assistindo esse filme há horas. Talvez mais. Aposto que é assim que a menopausa masculina deve ser. Depois que acabar essa resenha, vou dar esse filme pra alguém que eu odeio. É como uma pequena bomba de sinceridade. Quanto tempo tem esse filme podre afinal? 122 minutos?! Você tá brincando comigo?

26:40 -- Inacreditável. Até agora, a única coisa que aconteceu foi que as adoráveis meninas devolveram seus presentes de Natal para poderem comprar um adorável presente para a sua mãe, a quem elas chamam de "Marmee" por algum motivo estúpido. Agora elas estão adoravelmente doando sua ceia de natal para um grupo de órfãos fedidos e sujos. Não sei o que pensar sobre isso, então olho a caixa do filme. Lá diz que as garotas são adoráveis. Ainda bem que isso ficou bem esclarecido.

33:04 -- O galã do filme usa um lencinho do pescoço e seu pai não deixa ele sair de casa porque ele está resfriado. Isso porque ele tem 30 e poucos anos. Nenhum filme deve ter o diretor Skinner como par romântico. Outra, o nome dele é Laurie, o que responde algumas das minhas dúvidas. Laurie deveria ser um bad boy, eu acho, porque ele fugiu para entrar no exército, mas o exército o mandou de volta. Assistir esse cara pra cá e pra lá na tela é como ver o Papa Burger chapado de Absinto, não deve ser difícil de imaginar. Ninguém morreu ainda, o que me faz ficar triste. Uma das meninas não morre? Se for a gostosa, vou desligar essa merda.

40:16 - As irmãs acabaram de ser convidadas para uma grande festa numa velha mansão. Numa história do Stephen King, agora é que as coisas ficariam interessantes.

43:00 - Infelizmente, esta não é uma história do Stephen King. Eles só estão dançando valsa. Acredito que todos os atores que estão nessa pista de dança devem estar mortos agora. Isso me faz sentir um pouco melhor, mas não muito.

59:14 -- Laurie acabou de tentar beijar Jo. Ela o empurrou e correu para a floresta. Ele está correndo atrás dela, e a música é toda alegre e feliz. Assédio sexual nunca foi tão divertido. Espero que quando Jo tiver que fazer um aborto eles usem a mesma música. Isso seria a coisa mais sensacional do mundo.

01:08:42 -- Surpreendendo ninguém, Jo corta quase todo seu cabelo. Beth está doente, possivelmente morrendo, e eu estou fazendo figa. Os personagens ainda estão dizendo coisas como "Deus abençoe e nos proteja" e "Querido senhor, sua generosidade não tem limites?". Eu espero que todos fiquem com sífilis facial.

01:26:24 -- Passei os últimos vinte minutos tentando imitar a voz do Bob Esponja. Isso sim, foi legal. Agora estou assistindo ao filme novamente, o que me deixa deprimido. Não faço idéia do que está acontecendo no filme agora... Acho que alguém acaba de casar. Espero que o casamento termine em seppuku. Será que a garota com cara de rato já morreu? Este filme está me fazendo duvidar da existência de um Deus bom e piedoso.

01:36:16 -- Eles estão numa ópera. Será que eu não sofri o suficiente? Jo é uma governanta ou algo parecido. Vagabunda. Alguém está correndo pra lá e pra cá numa fantasia de urso, e tenho certeza que isso é para encher o meu coração de ternura e bondade, mas eu só fecho os meus olhos e peço uma morte rápida. Resenha o cacete, vou tentar a voz do Bob Esponja de novo.

01:47:01 -- Deus do céu. Eu devo ter dormido por alguns minutos, porque não faço a mínima idéia do que está rolando agora. Por que o novo xaveco da Jo tem um sotaque pior que o do Van Damme? Por que esse filme pára e deixa um personagem tocar piano a cada dez ou quinze minutos? Pelo menos parece que a vadia da Beth já está no bico do corvo. Finalmente, parece que vou ter um final feliz nesse lixo.

01:53:38 -- Te vejo no inferno, Beth. Uma Adorável Mulher a menos, faltam três. Jo está escrevendo um livro sobre a morte de Beth. Ela aprendeu isso depois da palestra "Conquiste sucesso financeiro explorando sua tragédia pessoal". Tenho certeza que o livro dela é uma merda.

01:58:09 -- Faltam cinco minutos. Faltam cinco minutos. Isso é que nem esperar os fogos de ano novo.

02:02:32 - Finalmente livre, finalmente livre. Obrigado Deus todo poderoso, estou livre finalmente!
 
posted by Paulo Vivan at 1:35 AM

DOR, DOR, PURA DOR

Foi o equivalente a acordar no meio de uma cirurgia e ver que o meu cirurgião está lendo trechos do Necronomicon. Mas, na verdade, era só eu, na casa da minha namorada. Ela tomando banho e eu com a vó dela na sala. E ver a velha lutando, tentando ligar a televisão com um Gameboy é doloroso. Pura dor.
Eventualmente a velha achou o controle remoto. Eu apenas fingi que não falava o mesmo idioma que a velha enquanto ela procurava, mas quer saber, eu não entendia porra nenhuma que ela falava, então não devíamos falar o mesmo idioma de qualquer maneira.
Era domingo, e a velha colocou num desses programas que fazem os olhos sangrarem. Se algum desses programas algum dia for captado por alguma raça extraterrestre, é uma barganha que pelo menos uma espécie alienígena vai declarar guerra contra a humanidade. E quando esse dia chegar, eu vou torcer pelos alienígenas.
As crianças chegam na casa e vovó desiste da televisão. Antes de ir pra cozinha, ela coloca o vídeo do "Rei Leão" para entorpecer a mente dos netinhos. E a minha. As crianças adoram o desenho da mesma maneira que uma mulher gorda gosta de bolo: desesperadamente e sem desculpas. Uma das crianças, vira pra mim e diz: "O vilão chama Scar. Significa 'cicatriz'. Eu faço inglês". Convenientemente o vilão - Scar (cicatriz) - é nomeado por sua deformidade física, já que um vilão chamado Jorge-Testículos-Mal-Formados não faria um brinquedo muito bonito dentro do McLanche Feliz.
O desenho continua numa utopia nauseante. Quando o leãozinho nasce, as zebras, macacos e elefantes se curvam em homenagem ao futuro rei, ao invés de dizer coisas como "Puta merda, Zé, olha esses malditos leões! E tem outro! Corre! Rápido, Zé, mais rápido! Porra, Zé! CORRE!" ou qualquer outra coisa que os macacos dizem uns para os outros. Sim, e tem músicas. As músicas são piores que câncer.
Acaba o banho e sou resgatado. No caminho da saída, cruzamos com o avô dela. Já que a obra mestra do mundo bizarro não estava completa, o velhote resolve contar uma piada. Eu ignorei as palavras do velho e na minha cabeça criei uma nova frase para substituir o que ele estava dizendo. Ficou mais ou menos assim: "Qual a diferença entre as minhas cuecas e algo cheio de merda quente? Ah, não, contei errado. Deixe-me tentar de novo..."
Quase morri de rir.