23 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 1:30 AM

SAIA DA INTERNET

Versão dia ensolarado
Olhe o sol lá fora. Por que você está na Internet agora? Vá dar uma volta! Você está branco que nem cera. Vá tomar um sol. Chute um poodle. Chingue um porteiro. Vá se divertir!

Versão dia chuvoso
Olhe o tempo lá fora. Por que você está na Internet agora? Vá dar uma volta! Você sempre quis ir pra Londres, vá lá fora, veja como é parecido. Tome chuva. Fique doente. Use seu plano de saúde!

Versão noite
Olhe a noite lá fora. Por que você está na Internet agora? Vá dar uma volta! Faz tempo que você não faz sexo. Converse com uma puta! Quem sabe ela não faz um precinho camarada? E se vc é mulher, é só ficar na esquina tempo suficiente até alguém aparecer. Tire o atraso!

Versão noite chuvosa
Desencana. Pode continuar.
 
19 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 12:47 AM

POR UM MUNDO MELHOR

Comprei um relógio no camelô hoje. Legalzinho. Tem até jogo. Alarme. Tem aquela borracha em cima pra não riscar. Coisa fina.
Eu não usava relógio desde os catorze anos. Gostei tanto desse relógio que dormi com ele. Lá pelas quatro da manhã, o relógio toca, acende, faz uma puta algazarra. Fui desligar o treco e tomei um puta choque. Desmaiei.
Acordei dentro do que parecia uma nave, cheia de luzes piscando, e mais quatro pessoas com o mesmo relógio que eu. Dois garotos, um de preto e um de amarelo; e duas garotas, uma de verde, uma de vermelho.
- Que porra é essa, onde eu estou?
- Seja bem-vindo. - diz um cara vestido de preto.
- Bem-vindo o caralho, são cinco da manhã, segundo essa merda de relógio.
- Somos a nova geração de Power Rangers e estamos recrutando você. Junte-se a nós! Vamos lutar por um mundo melhor! Achamos você através deste relógio.
- Ceeeeerto. Vocês recrutam pessoas através de um relógio barato de camelô. Adorei. Quer saber, é tão ridículo que vou me juntar a vocês.
- Ok. São apenas cinco parcelas de oitenta e três reais no seu cartão de crédito.
- Faz fiado?
A garota de amarelo aponta uma placa: "Fiado, só amanhã".
- Então me leva pra casa, seus merdas. Eu tô de pijama. Não durmo com meu cartão de crédito, mesmo que o pijama tenha bolso.
- Certo, entraremos em contato após a confirmação do pagamento.
- E tem mais outra coisa. Eu vou ser o de preto. Você escolhe outra cor, rapaz.
- Mas... Só sobrou o rosa.
- Se vira! Eu sou o de preto e acabou.

[continua...]
 
14 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 1:20 PM

Gosto de aprender outras línguas, de verdade. Mas tem alguma coisa nos cursos de línguas que me dão uma vontade incontrolável de contar mentiras. Não consigo evitar, é patológico. Talvez seja o conteúdo mais do que babaca dos livros, ou então a falta de imaginação dos professores.
- Paulo, qual o seu hobby?
- Hobby? Bem, não é bem um hobby. Eu treino galos para brigar.
- É mesmo?
- Sim, já faço isso há dez anos. Comecei com cachorros, mas depois que tomei um tiro na perna e minha mãe foi ameaçada de morte, passei a treinar galos mesmo.
- Puxa, que interessante. E quantos galos você tem?
- Tenho dezessete. Mas já cheguei a ter quarenta e dois.
- E onde você guarda todos esses galos?
- No meu quarto mesmo.

E por aí vai. Sou skatista profissional, já passei férias no Camboja, fiz curso de esgrima e salvei uma velhinha de um prédio em chamas. Até aí tudo bem. O problema é que na aula seguinte eu não lembro mais de nada.
- Paulo, como vão os seus galos?
- Como é que é? Que galos?
- Seus galos de rinha?
- Galos de rinha? Do que é que você... Ah, estão bem.

E você passa meses fazendo um curso de língua estrangeira, e quando finalmente viaja para outro país, percebe que tudo que você precisa é aprender uma simples frase e não terá problemas:
- Idiota, você não sabe com quem está falando???
 
12 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 12:52 AM

ALGUÉM ME DIRIA SE EU ESTIVESSE FICANDO MAIS BURRO?

Vejam, isso é um problema de verdade. Não quero ficar burro. Não acredito que alguém queira. E, inevitavelmente, em algum momento de nossas vidas, pode ser que fiquemos um pouquinho menos inteligentes. Por que? Bem, radiação, alimentação, poluição, televisão... e computação.
Teste de QI serve pra alguma coisa? Tá, eu fiz, deu 152. Uau, que legal, vou fazer uma camiseta. Mas, tudo bem. É uma forma de medir o emburrecimento progressivo. Acredito que cada vez que batemos a cabeça ou assistimos tv aberta perdemos um ponto de QI. Caiu da cama e bateu a cabeça... Tchau, tchau verbo "To Be". Assistiu Superpop, dê adeus aquela música do Legião Urbana. Ei... Isso me deu uma idéia!

- Eu vejo a onda me acertar... Vai, bate mais forte que essa não foi embora ainda... e o tempo vai levando tudo embooora...
 
11 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 12:04 AM

AMOSTRA GRÁTIS

- Ei, garoto, pega aqui. Uma amostra grátis.
- O que é isso?
- Isso é Botox. Toma, pega mais de um.
- Botox? De graça? Como assim? E o que eu vou fazer com isso?
- Não sabe usar? Deixa que eu aplico.
- Não, espera aí eu...

E então eu chego em casa sem expressão alguma no meu rosto.
- Filho, que bom que você chegou! A mamãe teve uma promoção e um aumento!
- Que bom, mãe! - digo, sem mexer um músculo do meu rosto
- Como você é egoísta... Venho te dizer algo bom e você não dá a mínima!
Minha mãe sai chorando. Meu pai chega.
- Filhão, resolvi te dar aquele carro que você tanto queria.
- Pai, isso é demais! É tudo que eu queria.
- Ah, vai debochar é? Tudo bem. Nunca mais me peça um tostão sequer, ingrato!

Vou para o meu quarto e me olho no espelho.
- Hebe, agora eu te entendo.
 
07 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 1:47 AM

ENFIM, CHOVE!



Foda-se um dia de sol! O que eu curto mesmo é um dia de chuva. Gosto mesmo é de olhar pro céu e ver aquelas nuvens pretas, carregadas, do tipo que dá até para sentir o peso delas. Aí vem o cheiro úmido da chuva e a temperatura baixa uns dois graus logo antes de começar.
Não sou gótico. Mas acho que céu azul é chroma key.
 
06 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 12:35 AM

ESSA GAROTA NÃO É PARA MIM

Essa garota não é para mim. E quem disse que era? Ninguém, mas se dissessem, quem daria ouvidos? Não é apenas uma questão de dar ouvidos, mas qual a razão de se dizer uma coisa dessas? Dizer se é ou se não é não cabe a ninguém, a não ser que haja interesse.
E não é o interesse que move tudo nessa vida? Se não me interessa, eu não faço. Talvez se interessar para alguém, mas daí o meu interesse seria outro, seria agradar. Interesse de qualquer maneira. Sou interesseiro mesmo. Quero ouvir de quem não é.
Se eu me interessasse pela garota errada, quando e porquê eu descobriria esse erro? Embora essas não sejam as principais questões, afinal, as respostas só levam a outras perguntas e um pouco mais filosofia de botequim. Se escolhi errado, se escolhi certo, se não escolhi, se fui escolhido... A garota certa, a garota errada... Talvez ela já passou, e por um ônibus atrasado, já foi. Já era, só na vida seguinte. Ou quem sabe numa ligação por engano? Mais um motivo para não desligar o telefone quando eu for dormir.
Neste momento, neste clima, eu poderia estar compondo o mais novo sucesso da música sertaneja. E quem sabe, essa música, não faria sucesso? E eu conheceria a garota certa, através desta música? Provavelmente eu diria para mim mesmo: "Ela gosta de sertanejo. Essa garota não é para mim".
 
04 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 1:02 AM

SÍNDROME DE TOURETTE VOLUNTÁRIA

Foi numa terça-feira que resolvi começar. O shopping pareceu-me um local apropriado. Entrei numa loja de sapatos e dei início.
1o. sintoma: Tiques - movimentos abruptos, rápidos e involuntários

Enquanto o vendedor perguntava qual sapato da vitrine eu queria, comecei a apontar para todos os lados, repetidamente. Não foi dificil deixar ele nervoso. Foi então que mudei o tique para um encolher dos ombros, bem no momento que ele começou a reclamar. Quando ele ia partir para a violência revelei que sofro de síndrome de Tourette. Então, entrei numa nova fase. Sintomas motores complexos. Tiques complexos.
Comecei a pular, pular e pular. E o vendedor tenta compreender a síndrome, desconfiado. Expliquei em detalhes os sintomas, enquanto dançava valsa com uma das gerentes da loja. Ela pareceu ser mais compreensiva.

Eu já estava louco para apresentar o segundo sintoma, então parti direto para a praça de alimentação.
2o. sintoma: Vocalizações (complexas) - frases ou palavras fora de contexto, e, em raros casos, expressões socialmente inaceitáveis

Entre um pedido de Big Mac e uma Baked Potato, as palavras "atômico", "robalo" e "gaveta" eram usadas constantemente. Mas o bicho só começou a pegar quando começaram as frases: "e sua mãe também", "pro alto e avante", e a melhor de todas "ela só chupou uma vez".

Semana que vem vou participar de um programa no Discovery Health. Eu aviso quando for passar.
 
02 agosto 2003
posted by Paulo Vivan at 4:31 PM

SOLTANDO OS CACHORROS

Abri a porta do Canil/Galinheiro e o ChickenDog voltou correndo pra casa. Só que pra casa antiga... Saudosismo. Vai entender!



Agora sim, a casa está (parcialmente) arrumada, vou voltar a escrever. Sem querer ser chato, mas eu ODIAVA o canil/galinheiro. Sensação de estar preso, cativeiro. Uau, já posso ouvir o Bob Dylan... Here comes the story of The Hurricane...
 
posted by Paulo Vivan at 3:08 PM

JAIR E O PÉ DE JACA

Jair e a jaca. Nos seus 9 anos de vida, Jair descobrira que jaca era sua fruta favorita. Também pudera, Jair nunca gostou de outra fruta. Não gostar da fruta também geraria um outro tipo de assunto malicioso, fácil e de baixo calão, mas não é por aí que quero seguir.
O fato é que a avó de Jair tinha um pé de Jaca em sua casa. E Jair, comia jaca atrás de jaca, sem escutar nem dar atenção a sabedoria de sua vovó: "Jair, não coma as sementes! Vai crescer um pé de jaca na sua barriga."
Macumba de velha ninguém esquece. Mesmo que a velha seja esclerosada. Mas, adivinhem o destino de Jair? Isso mesmo, pé de jaca na barriga. Isso já está ficando previsível, não é? Mas, mesmo assim continuamos. O primeiro sinal que a semente vingou no barro intestinal de Jair foi a mudinha que começou a sair do seu cu. No começo dava para esconder; e Jair, envergonhado, não contou nada para os pais. Com o passar dos dias, o caule da mudinha foi enrijecendo, rasgando os fundilhos das cuecas de Jair. Foi quando sua mãe percebeu que havia algo de errado.
Nas semanas seguintes, já sem poder esconder uma árvore em pleno desenvolvimento em sua bunda, Jair desistiu da escola. Não agüentava mais as piadas envolvendo "rabo" e "pau na bunda". Com o crescimento do pé de jaca, Jair não andava mais, e tinha que ficar o dia todo de bruços, com a árvore se projetando mais e mais. Ele só pensava na mandinga de sua avozinha.
Um mês depois, os primeiros frutos. Grandes e vistosos. Jair pede para sua mãe fazer doce de jaca e levar para sua avó, afinal, foi lá onde tudo começou. Mas, ele tinha instruções específicas: sua avó deveria primeiro comer o doce e depois ler o bilhete de Jair. Tudo ocorre como planejado. E a vovó abre o bilhete e lê:
"Vovó, não se esqueça: tudo que sai do cu é merda".