30 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 4:41 PM

O ÚLTIMO DIA ÚTIL

Hoje é o último dia útil antes do meu aniversário. Seria um bom dia para eu pedir demissão.

Não aguento mais esse trabalho. Não aguento mais este programa. Preciso de mudança. E achei que hoje seria o dia. Cada minuto que passava eu me convencia mais de que pedir demissão seria uma boa coisa. Que isso seria algo sensato de se fazer, considerando o histórico.
Por algum motivo, resolvi dar uma volta pelo SBT antes de tomar qualquer decisão. Passei pela fábrica de cenários, contra-regra, estúdios e sai do prédio principal. Passei pela Casa dos Artistas e entrei na cidade cenográfica. Lá não tinha ninguém, a novela já encerrou as gravações.
Então, lá eu estava. Eu e a cidade. E a cidade realmente parecia de verdade. Ninguém passava por lá. Ninguém mesmo. Fiquei sentado no meio fio daquela cidade deserta. Até tinha alguns bancos, mas resolvi sentar no chão mesmo. Fiquei lá por uns 15 minutos, só curtindo aquela cidade deserta. E falsa. Mas não me incomodava saber que detrás daquelas paredes não havia nada. E daí?
Decidi dar uma última chance aquelas paredes vazias. Não vou me despedir hoje. Daqui a um mês, quem sabe.

Este é o último dia útil antes do meu aniversário.
 
28 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 3:33 PM

COMO ESCREVER UM POST NO CHICKENDOG É FÁCIL QUANDO NÃO SE TEM IMAGINAÇÃO

Passo por uma fase vazia. Não tenho assunto. Sou aquele cara do "é".
- E aí, sem novdades?
- É...
- Trabalhando?
- É...
- E a familia, vai bem?
- É...

E esse vazio, nem filosófico é. Bem que eu gostaria de filosofar sobre isso. Mas é vácuo puro. Como nem sou de ficar muito tempo sem escrever, resolvi forçar a cabecinha e espremer um pouco desse suco.
Comecei batendo no teclado, escrevendo de olhos fechados, rezando para que no meio de todas as letras tecladas ao acaso, surgisse alguma palavra. Uma vez com essa palavra eu poderia começar a escrever um texto. O resultado foi esse:
(...) amlsndfõa vnowjs voEUsadkjf as asdopasdSOUlamhnsfo aSATANÁSsdmnfosdm12çlemaçsdu (...)

Diabos! Sempre achei que o teclado é uma interface dos infernos. Na escola eu aprendemos que o alfabeto é A B C D E... Mas o demônio quer que seja Q W U E R...
Cadê o botão do pentagrama? Deve ser esse Scrool Lock, não serve pra nada mesmo.
 
23 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 4:39 PM

AGRADECIMENTOS DE NOSSA BANDA

Obrigado pelo dinheiro; obrigado por dançar e cantar junto; obrigado por tudo. Só queremos que vocês saibam que nós nos importamos. Obrigado por nos chamar de "vendidos" e não entender a piada. Obrigado por nos cobrir de cuspe e por todas as cartas de ódio que recebemos. Estamos muito felizes só de saber que vocês se importam também.

Sentimos muito que muitas pessoas passaram a curtir nossa música uma vez que começamos a tocar em todas as rádios. Nós amamos vocês porque realmente entendem que amamos vocês.
Como não poderíamos? Por isso, dizemos mais uma vez: amamos vocês!

Nós sempre achamos que vocês gostavam de nossa banda. Não digo de "todos" da banda. E sentimos se você perdeu algum tempo ouvindo nossas músicas. Somos tão afortunados de ter vocês, pois sabemos que alguns de vocês entendem e não tem medo nem vergonha de admitir que ainda estão conosco apesar de tudo.

Obrigado por sempre gostar de nossa banda.
 
21 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 1:05 PM

TUDO QUE SOBE...

Dentro de alguns dias, mais especificamente no dia primeiro de junho, será meu aniversário. Vem o aniversário e vem os presentes. Pra facilitar o percentual de "acertos" e "erros" nos presentes, criei esta lista que, embora por vezes surreal, ficará o mais próximo da minha satisfação total.

- Um computador novo. Preciso doar o meu para pesquisa. Ele é uma forma de inteligência artificial com vontade própria.
- Uma garota hippie ou semi-hippie para uso eventual.
- Uma câmera digital. Não quero ser um excluído fotográfico-digital.
- Roupas. Se bem que ainda prefiro brinquedos. Coisa de criança mesmo.
- Brinquedos. Essa foi pra corrigir a anterior.
- Um carro. Se você ganhou na loteria, bem que podia dar um pra mim. Pra você não custa nada mesmo.
- Um quintal pra eu poder ter meus cachorros perto de mim.
- Um template novo para o meu blog. Não aguento mais esse daqui.
- Paz na terra. Ops, desculpa, era uma papete mesmo.
 
15 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 3:09 PM

ALGO PARA A GAROTA QUE JÁ TEM TUDO

Como presentear uma garota que já tem de tudo? Alguém me diz: leia os sinais. Devo dar uma caneta? Caneta e papel. É isso. Mas algo me diz que ela já tem tudo.

Vou dar um doce, outro doce, doce diferente, doce novo. Não fale agora, querida. É feio falar de boca cheia.
Oh, estou com dor de cabeça já. Vou invocar os três reis magos, esses caras sim, sabem dar presentes. Dois mil anos atrás e eles já presenteavam muito bem: ouro, incenso e mirra. Acho que vou dar mirra pra ela. Se bem que eu não sei que porra é mirra. Não faço idéia.

Posso dar um árvore pra ela. Com a visita de um jardineiro pra plantar a árvore. Com um ornitologista pra cuidar dos pássaros que vão sentar na árvore. E uma máquina fotográfica pra ela fotografar os pássaros. Mas ela mora num apartamento. E já tem de tudo.

Vou chegar no aniversário e vou dizer "oi" e nada mais. Ela não fala muito, é um pouco tímida. Faltam-lhe palavras.
 
12 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 12:51 PM

CLÁSSICOS DO INVERNO

Todo ano é a mesma coisa. Esfria, minha garganta vai pro beleléu. Se é que nesses tempos, o "beleléu" ainda existe. Mas este não é o assunto. O assunto é a garganta. E a minha está doendo.
E dói mais de noite. Na hora de dormir, parece fiz gargarejo com cerol. Pela manhã, parece que tenho um gato na garganta. Além de afiar as unhas na minha laringe, ele deixa uns pelinhos que ficam fazendo cócegas. Dentro de umas duas semanas tudo isso deve passar, naturalmente, como todo ano. E, naturalmente, como todo ano, dentro de 12 meses ela deve voltar.

Outro clássico do inverno é o banho quente. O banho não é o problema, e sim, sair do banho. Enquanto você está debaixo do chuveiro, maravilha... Abra o box, ponha o braço pra fora pra pegar a toalha e todo o calor do seu corpo vai embora como uma nave espacial despressurizando. Ainda tem o caminho até o quarto, o chão gelado, a toalha gelada, a roupa gelada. Mas, tudo bem. Eu gosto do frio apesar de tudo.
 
08 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 12:49 PM

À PROCURA DE UM BANHEIRO PÚBLICO: UMA SAGA DE ALIENAÇÃO, HUMILHAÇÃO E CRUELDADE

São dez da manhã e preciso ir ao banheiro. Estou no meio do caminho do trabalho. Muito apertado, mas muito apertado mesmo! Entro no primeiro boteco que vejo:
- Ei, será que eu posso usar o banheiro de vocês, por favor?
- Claro, é por ali.

É... Não foi tão difícil.
 
06 maio 2003
posted by Paulo Vivan at 12:57 AM

DROGAS LEGAIS

Não bebo. Nunca bebi. Nunca fiquei bêbado. Não sei o que é ressaca. Odeio cigarros de qualquer tipo, charutos, cachimbos. Nunca usei drogas. Exceto essas próximas...
Sendo assim, posso indicar novos caminhos para aqueles que procuram um novo barato.

- CONTRASTE: Esse é do bom. Marque uma tomografia e vai ganhar uma dose. Eu sei, já fiz tomografia da cabeça. Demora um pouco, mas quando fizer efeito vai sentir o tempo passar muito rápido, visão "olho de peixe", e sensação de andar nas nuvens.
- ENGOV: cada engov tem o equivalente de cafeína de 2 ou 3 xícaras de café expresso. Então, se você tomar uns 4 ou 5 engovs, sem beber, ficará ligadão. E chato pra diabo!
- MELHORAL INFANTIL: pode comer a cartela inteira. Não se preocupe que não faz mal, ele é realmente feito pensando nisso. Vai trazer recordações da infância.
- ALGUMA POMADA PRA PANCADAS DA MINHA INFÂNCIA: não lembro qual era. Mas lembro que era marrom, translúcida, tinha gosto bom e deixava a língua adormecida.

Uau... Isso tudo deve ter derretido meu cérebro. Ueba! Mais algum?
 
posted by Paulo Vivan at 12:37 AM

Acordei numa cama grande, dessas que tem pilares e cobertura, sabe? Durmo em beliche, então nem foi um chorque muito grande. Ah, a cama era de casal. E o quarto era maior. Mas, pra quem acorda, tá tudo certo.
Num instante, já estou vestido e descendo as escadas em direção à sala. Me lembro que não tem escada em casa, moro em apartamento, mas, me livro do pensamento logo. Uma empregada de roupa preta, chapéu e avental braco se aproxima.
- Bom dia, Javier. Sua mãe o espera na sala. Parece preocupada.

Dou de ombros. Meu nome não é Javier, mas tudo bem. Entro na sala e vejo uma mulher gostosa, com um batom vermelho pra cacete, sentada no sofá. Puta que o pariu essa casa é grande. Me posiciono atrás dela, atrás do sofá, ligeiramente à esquerda.
- Estava esperando você. - diz a mulher, sem olhar pra mim. - Seu pai já sabe de tudo. Não quer mais você comandando a empresa.
- Ô dona, desculpa. Mas meu pai não tem empresa nenhuma...
- É assim que você fala com sua mãe, com sua família?? - diz a mulher, quase chorando. Uma música ao mesmo tempo triste e tensa invade a sala.
- Quem ligou o som? Ô dona, não sei o que você tem, mas não sou seu filho não...
- Agora você nega sua mãe? - a mulher já aos prantos e ainda de costas - Você quer o meu fim! Você sempre me odiou!
- Ei, calma lá, dona...Não tenho nada a ver com essa sua novela mexicana... Ei, caralho... Tô dentro de uma! - E a música aumenta e de repente sinto que estou num close exagerado.

Corro em direção ao telefone e disco zero.
- Oi, eu quero falar com a produção. acho que houve algum problema.
- Javier? Paulo, não é? É o seguinte... Lembra que você disse pra aquela ex-namorada sua que você era eternamente dela?
- Tá, tá, lembro. E daí?
- Ela vendeu os seus direitos pra Televisa.