28 março 2003
posted by Paulo Vivan at 10:08 PM

- Pai, você me dá um dinheiro pra eu comprar um cd de uma banda de heavy metal que prega o culto satanista e o suícidio?
- Filho, o fato dessas bandas não terem se matado em rituais de auto-sacríficio mostra que eles só estão nisso pelo dinheiro, como todos os outros. É tudo pose para efeito de marketing. Se você quer provocar e chocar as pessoas, seja sincero nisso.
- Então o niilismo comercial do mainstream não é verdadeiro?
- Infelizmente não, filhão.

Logo depois, cortei meus cabelos.
 
posted by Paulo Vivan at 12:51 PM

A RESPOSTA

Um garoto de 11 anos me para na rua.
- Que horas são?
- Não sei. Não tenho relógio.
- Obrigado, idiota! Hahahaha!
- Ah, é?! .................

O que mais dói é saber que eu provavelmente irei chegar a uma resposta muito melhor e mais inteligente dentro de algumas horas.
 
26 março 2003
posted by Paulo Vivan at 12:15 PM

A ALMA DE UM PEDIDO

Cansei. Vou vender minha alma. Não uso mesmo! Se é que eu ainda estou com ela, pois, segundo minha ex-namorada, eu não tenho alma mesmo. E com a alta do dólar, to precisando de uma grana. Espero que dê pra tirar uma boa grana.
Primeio passo foi colocar ela no Mercado Livre. Depois de 10 dias, ninguém deu um lance. Malditos!
Depois disso fiquei meio perdido... Desenhei um pentagrama no chão e chamei o demônio. Tocou a campainha. Abri a porta e lá estava um homem muito parecido com o Paulo Maluf.
- Você me chamou?
- Rapaz, você tem a cara do Paulo Maluf!
- Eu ouço isso o tempo todo. E ele acaba levando mais crédito do que eu. Vamos aos negócios?
- Vamos. Mas prefiro decidir com a barriga cheia. Vamos ao Hobby Lanches.

Depois, no Hobby Lanches:
- Boa tarde, seu Maluf - diz o garçom. - Vai querer alguma coisa?
- Ai, cacete. Olha aí, de novo. Não quero nada, obrigado. Eu só me alimento de almas desesperadas e de pessoas sem destino.
- Oi, eu quero um x-salada tártaro.
Um silêncio mortal invadiu a lanchonete. E o demônio diz:
- Er... Boa idéia. Será que eu posso mudar o meu pedido?
 
21 março 2003
posted by Paulo Vivan at 4:22 PM

Preocupar-se com a guerra. Parece-me que as pessoas realmente estão preocupadas, e acima de tudo, ultrajadas. Há os que se preocupam com a liberdade mundial, e existem os que se preocupam com a ordem. Alguns se preocupam com a economia, com a destruição, a democracia e a prosperidade. Que tal olhar para as pessoas?

UE, EUA, OTAN, ONU. Grandes siglas, pequenas ações. Alguém tinha dúvida que algum dia os Estados Unidos iriam invadir algum país do oriente médio e ganhar um pouquinho a mais de petróleo, nesses últimos anos desse líquido negro? Afinal de contas, todos sabemos que logo, logo, não teremos mais petróleo. Isso se chama "queima de estoque". Você já deve ter ouvido falar.
Então por que o espanto e o horror? Os comentários inflamados, a piedade, a violência gráfica, e os depoimentos de especialistas e sobreviventes. Uau! Quanta novidade! Será que você realmente iria estar se importando com tudo isso se a CNN - que já cobriu uma guerra no oriente médio, e faturou muito com isso - não estivesse ansiosa para repetir essa cobertura? E junto com ela, outra emissoras também vão no mesmo bondinho.

"Já sei, vamos gravar a esquina da Av. Paulista com a Brigadeiro 24 horas por dia. Com certeza, em algum momento, algum carro vai bater ou alguém vai ser atropelado. daí vamos ter as imagens em primeira mão". Essa é a mentalidade dos chefes de jornalismo. Só mude o cenário. É o triunfo da representação sobre o representado, a guerra vale mais do que o povo que luta por ela. Ah, e isso no Iraque não é guerra. É invasão, clara e simples. Invadir, depor e conquistar. Ninguém condena conquistadores, só assassinos.

Você quer guerra?



No final dos anos 90, na antiga Iugoslávia houve uma guerra. Sérvios aterrorizavam os Albaneses. A limpeza étnica de Kosovo consistia em: expulsão à força dos Albaneses, roubo, prisões (campos de concentração iguais ou piores do que os da segunda guerra mundial), queimada de lares, execuções sumárias, exumação em massa de corpos, estupro sistemático e organizado, e um novo tipo de limpeza étnica - apagar identidades. No fim do século 20, guerra entre soldados uniformizados lutando entre si é muito rara. A onda agora é que 90% das mortes associadas a guerra são de civis. Afinal em Kosovo, a guerra era entra soldados e população, população contra população. Alguém se importou?
A ONU mandou bombardeiros para a Iugoslávia para esfriar a coisa. Mas isso só fez os Sérvios usarem os Albaneses como escudo humano, facilitando assim o trabalho "deles".

Não houve preocupação mundial da mídia, das nações ditas desenvolvidas, e consequentemente dos povos, sobre a situação em Kosovo. Não haveria porque. Não tinha território envolvido na briga, só alguns povos, algumas pessoas.

Guerra é sobre território. Não povos.
 
19 março 2003
posted by Paulo Vivan at 12:42 PM

DESAPEGO

Não longe de casa, fica um Hare Krishna. E ele costuma ficar no semáforo da Henquique Schaumann com a Rebouças vendendo incenso. Você até pode pensar que o Hare Krishna é um cara simpático, mas não. Ele geralmente vende seus incensos com um olhar "compre ou morra". É um Hard Krishna.
Então, o Hard Krishna se aproximou de mim, me dá o "olhar" e coloca um livrinho na minha mão. Vai embora sem falar nada.
Está escrito na capa do livreto: Desapego.
Abri o livreto, e comecei a ler. Falava sobre conhecer o diferente, que devemos nos libertar de idéias pré-concebidas há muito fixas em nossa cabeça. Quando conseguimos, o salto é estupendo. Ou seja, foda-se tudo.
Ok, vamos lá. Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se... Depois de um tempo, comecei a sentir que minhas roupas estavam flutuando... minha camiseta flutuou pra longe, minha calça descosturoue caiu, e minha cueca se desfez! Fiquei pelado no meio da rua. Pulei o muro de uma casa, peguei um lençol do varal e me enrolei nele. Amarrei com a própria cordinha do varal.
Na rua de novo, eu, o lençol amarrado e o livrinho na mão.
Bosta! Eu não sabia que Hare Krishna não usava cueca.
 
17 março 2003
posted by Paulo Vivan at 4:20 PM

IND. QUÍMICA YAMAMOTO

Precisamos de mão de obra para transporte e relocação de materiais químicos
Empresa na zona sul de São Paulo.
Não requer experiência anterior.
Interessados enviar currículos para o endereço abaixo:
Av. Yamamoto, Nº 4 - São Paulo, SP


PRIMEIRA SEMANA
Finalmente! Achei um emprego no jornal. Transportar uns barris de produtos químicos de um lugar pra outro. Pra onde? Não sei. O que tem dentro? Não sei. Mas caiu um pouco nos meus dedos, é um pó verde brilhante. Cheirei um pouco, ardeu, grudou no meu nariz e foi direto pros meus pulmões. Tá aqui o nome: tropisentron. Eles usam isso com as árvores, não sei direito. Ah, quer saber, não deve ser nada.

SEGUNDA SEMANA
Tenho dores de cabeça fenomenais! Estão rachando minha cabeça! Ah, e quase não consigo mais ficar de pé... Mas ainda assim fui pra fábrica. Fiquei meia hora lá e tive que voltar pra casa. O sr. Yamamoto disse que eu sou fresco. Aaargh, não aguento mais... Estou vendo tudo dobrado, tremo feito chocalho e não consigo mais dormir. Isso está me enlouquecendo!!! Acho que vou vomitar...

TERCEIRA SEMANA
Parei de vomitar, mas os sintomas anteriores ainda persistem. Alguém, não sei quem, não sei onde, disse que a fábrica do Yamamoto transforma pessoas em árvores bonsai. Aquele japa filho da puta... Liguei pro meu advogado hoje, mas ele não me atendeu.

QUARTA SEMANA
Fui até o maldito prédio prateado, abri a porta de metal do escritório com um chute, peguei o filho da puta do Yamamoto pelo colarinho e fiz ele engolir um monte daquela merda de pó verde-fosforecente. Desmaiei logo depois.

QUINTA SEMANA
Hoje recebi a visita do advogado da fábrica do Yamamoto. Ele disse o seguinte: "Já era, garoto. Está comprovado. Você vai engasgar e se contorcer de dor pelo resto da sua vida. Mas, se você não nos processar, a gente te dá uma BMW, que tal?"
Que eu nunca vou dirigir porque tremo feito um chocalho.
Meu advogado ainda não me ligou. Vou deixar recado de novo.
 
12 março 2003
posted by Paulo Vivan at 2:23 PM

Tenho andado meio impaciente com a tecnologia, ou o excesso de inovações babacas. Foda-se o celular colorido, minha orelha não enxerga mesmo. E o que eu vou fazer com um aparelho de som de 15.000 Watts? Tomar porrada do vizinho ou vender pamonha pro estado inteiro? Por isso proponho aos cientistas (que neste momento estão presos em uma jaula com um teclado na mão e um tubo que os alimenta pela boca) que inventem novos aparatos para realmente melhorar nossa tão falada qualidade de vida.

- MICROONDAS INVERSO: sabe quando você que tomar aquele nescau, ou aquela cerveja, mas, por infortúnio do destino, eles estão mornos como um copo de baba fresca? Pois então, coloque-os no microondas inverso, selecione a temperatura e pronto! Sai geladinho.
- DETECTOR DE MENTIRAS PORTÁTIL: aquela sua namorada anda dando umas desculpas muito furadas? Então, leve no bolso seu detector de mentiras com vibracall... Ela nem vai perceber que você sabe que ela está mentindo. E se você achar que "ignorância é felicidade", o detector tem 5 níveis de ajuste que vão de mentira deslavada até brincadeirinha.
- ÁLCOOL LÍQUIDO: quem foi o filho da puta que tirou do mercado o álcool líquido? Você já tentou acender uma churrasqueira com álcool em gel? É melhor deixar a carne ficar pronta no sol, é mais rápido.
- UM SACO PLÁSTICO QUE NÃO FAZ BARULHO: detesto barulho de saco plástico.
- AUTODESTRUIÇÃO DE VEÍCULOS: Carsystem, o caralho! "Este veículo está sendo roubado, e você, ladrão, se fodeu!" Buuuuuum!!!... O problema é esquecer de desligar.
 
10 março 2003
posted by Paulo Vivan at 12:09 AM

BERNARD PIVOT II E SUA AGÊNCIA DE EMPREGOS

- Vou começar por dizer que emprego não é nada. Você é tudo. Tudo é você. E se você quiser tudo tem que ser você, de você e pra você.
- Certo. E agora?
- Agora você me diz o que você quer ser.
- Eu quero tentar ser médico.
- Tentar, não. Faça ou não faça. Não existe tentar.
- Ei, isso é do Yoda.
- Mas o que não é? E quem disse que ele não é de nós? Enfim, vamos começar pelo questionário que eu mesmo formulei, e que provalemente não terá muito a ver com o seu futuro, e por isso será analisado por essas 50 pessoas escolhidas aleatóriamente na rua que, podem ter ou não alguma conexão com algum futuro emprego para você. Vamos lá?
1 - Qual sua palavra favorita?
2 - E a palavra da qual menos gosta?
3 - Quando você limpa a bunda, limpa pela frente ou por trás?
4 - Qual o seu palavrão preferido numa língua estrangeira?
5 - Quem você escolheria para ilustrar a nota de três reais?
6 - Se um dia encontrasse o McGyver, o que diria para ele?
7 - Qual foi a sua namorada ou namorado mais horrível?
8 - Se pudesse, faria sexo com que animal?
9 - Que profissão você acha que terá na sua próxima vida?
10 - Se tivesse que matar alguém, quem seria?