28 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 3:17 PM

PLANEJAMENTO

Uma reunião no pentágono decide os próximos planos para atacar o Iraque.
- Senhor presidente, boa noite. Temos ótimas notícias. Depois de anos pesquisando planos para destruir países inteiros, conseguimos encontrar duas opções perfeitas para acabar com o nosso maior alvo no momento, o Iraque.
- Maravilha! E de que país vocês conseguiram encontrar tais planos de destruição?
- Do Brasil, senhor?
- Brasil? Brasil, samba, mulatas e carnaval?
- Sim, senhor.
- Incrível, deixe me ver esses planos... Eles não estão em espanhol, né?
- Não senhor, traduzimos tudo.
- Ok. Pode começar a apresentação.
- Temos duas opções. Cada um dos planos é divido em duas partes. Temos o Plano Cruzado 1 e 2. Pelo que nós pudemos entender, o governo congelou a população, levando os brasileiros a um estado quase hipnótico, onde eles eram controlados com notas de dinheiro coloridas e música popular de baixa qualidade...
- Fantástico! Podemos contratar esses artistas?
- Nossos agentes já estão atrás deles, embora vários grupos populares já desbandaram. E temos tembém o Plano Collor 1 e 2. Esse é o mais violento de todos. Consiste em entrar na casa das pessoas, levar todo do dinheiro delas emprestado e não pagar nunca mais. Também consiste na distribuição de camisetas com mensagens subliminares e adesivos que não descolam nunca dos vidros, paredes, etc... A população acabou fugindo de jet-ski do país...
- Impressionante! O seu trabalho de pesquisa é incrível! Agora vamos comer aqueles donuts...
- Sim, senhor. Compramos recheados.
 
24 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 12:07 PM

CONVERSÃO

Estou fazendo uma conversão para um novo "eu". Chega de textos engraçadinhos, de humor negro, de tirar sarro da cara dos outros. O que eu ganho com isso? Isso me traz algum novo conhecimento? Não.
E ao admitir tudo isso, sinto que não há catarse necessária para uma redescoberta. Talvez, esses textos escritos anteriormente, sejam apenas uma forma de negação e conformismo com um mundo que não aceito e mesmo assim, aturo. E contribuo. Então, a partir de agora chega de gracinhas. Este blog será apenas de textos sérios e desabafos da minha vida pessoal.

Haha! Você quase acreditou né? É só promessa de campanha, não vou cumprir.
 
16 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 12:26 PM

CÃO QUE LADRA...

Num pet shop qualquer, em algum lugar, uma garoto atormenta sua mãe para lhe adotar um cachorrinho:
- Mãeeee... Aqueeeele... Aqueeeele... E aquele também!
- Pára, Daniel! Já falei, você tem que escolher um. Não podemos levar todos.
- Podemos sim! EU juro que não como mais... Nem de roupas eu preciso.
- Olha, filho... Eu vou falar com o veterinário e você fica aqui escolhendo o cachorro.
A mãe sai de perto e Daniel fica sozinho.
- Ei, garoto!
- O que? Quem falou?
- Sou eu, o cachorro da terceira casinha.
- Er... Cachorro não fala.
- Tá bom. Então eu fico quieto. Foda-se.
- Não, não! Pode falar.
- Seguinte, moleque. Me leva. Eu sou legal, descolado e ainda como o dobro de lição de casa que os outros cães. O que acha?
- Beleza!! Manhêêêê!!!

Na casa de Daniel, no dia seguinte.
- Seguinte, moleque. Quem manda nessa porra sou eu. Vá pegar comida pra mim. Carne.
- Mas eu quero brincar com você agora...
- Foda-se o que você quer. Eu não tô nem aí.
- Ei, mas você é meu cachorro.
- Seu o cacete. Você me adotou porque é trouxa.

Dias depois, o cachorro sem nome - não aceitou ser nomeado pelo Daniel - continuava a atormentar o garoto. Pedia comida, fazia o que queria e cagava dentro de casa.
- Ô cachorro, Vamos dar uma volta na rua?
- Vá se foder, moleque. Já te falei, você é um puta otário e eu não to afim.
- Mas você não quer brincar comigo?
- Hahaha! Até parece... Acho que vou brincar com a sua mãe, aquela gostosa. Hahaha!
- Ok, você pediu. Tá vendo aquele ursinho ali na parede? Tem uma câmera no olho dele. Gravei em vídeo tudo o que você falou. Agora vou vender você pro Faustão, João Kleber e o cacete... Você vai ser que nem o Latininho! Aberração!!!
 
15 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 12:15 AM

DÁ UM TEMPO

Nada. Nada mesmo. Você não tinha nada melhor pra comentar comigo do que o maldito tempo?
Concorde comigo. Comentar o tempo beira o inacreditável. É a absoluta e total falta de assunto. É a epítome da mente vazia. Tá sem assunto? Me conte uma história chata, cheia de gente que eu não conheço, com referências que eu nunca vou entender... Mas não comente o tempo... Por favor!!!
Faz diferença se está quente ou frio? Se está, eu sei porra!!! Afinal de contas, estou vivo. Você podia mudar o comentário para: "Nossa, você está vivo."
Presenciei uma conversa este final de semana:
- Oi, Maria! Nossa, que calor fez hoje né?
- É verdade, Marta, mas acho vai esfriar.
- Não, não vai. Ontem ficou assim e não esfriou.
- Ah, mas eu acho que vai esfriar sim, olha esse vento.
(não seria legal se a partir daqui, a conversa perdesse as estribeiras?)
- Ô sua vaca, quem você pensa que é? Nostradamus?? E eu não vou "olhar" o vento, sua burra, ele é invisível!
- Ok, mas que vai esfriar, vai.

Acho que vou aloprar da próxima vez que faltar assunto. Mas de uma maneira mais sutil.
- Nossa, como está escuro agora, né?
- Claro que está escuro. É noite.
- Eu sei. Mas agora há pouco, estava claro. Impressionante como escureceu, né?
- Será porque era DIA???
- Pode ser, mas que é impressionante é. Aposto que daqui umas 12 horas vai ficar claro de novo...
 
11 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 1:19 AM

DURMA COM OS ANJINHOS

Ultimamente dormir aqui em casa não tem sido tarefa fácil. E não é o calor. O povo parece meio afetado, estranho, com um sorriso meio macabro na hora de dar boa noite. Parece que, assim que coloco minha cabeça no travesseiro, eles correm pra cozinha e procuram uma faca ou algo assim pra me atacar durante o sono.
- Pai, o Paulo já dormiu... Vamos lá!
- Certo, eu vou ficar com os CDs dele, o seu irmão com o computador e você pode ficar com o quarto.
- OK, mas e o corpo?
- A gente doa pra pesquisa. Afinal de contas, com a quantidade de refrigerante que esse menino ingeriu durante a vida, com certeza algum efeito teve.

Sua família também quer te matar durante o sono? Fique atento aos sinais:
- Você acorda com um saco plástico cobrindo sua cabeça.
- Sua mãe não troca a roupa da sua cama há 2 meses.
- As pessoas entram no seu quarto no meio da noite só pra "ver se está tudo bem".
- Você levanta no meio da noite pra ir ao banheiro e pisa em cacos de vidro.
- Seu pijama tem o desenho de um urubu.
- Te acordam pra ir trabalhar com ferro em brasa.
- O seu travesseiro cheira a podre e secreta um líquido fétido nas noites mais quentes.
 
10 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 12:36 AM

OLHE PRA MIM

Olhe pra mim. Sou gordo, feio e repulsivo. Você olha pra mim e tem nojo. Seria mais fácil pra você lamber a parede do que me beijar, me acariciar. Acontece que eu tenho uma conta bancária que compraria o seu bairro. Duas vezes. Então vem logo, benzinho, vamos pro motel. E você vem mesmo.

Olhe pra mim. Estou num bairro pobre. No seu bairro pobre. Uma favela. Estou usando roupas que dizem "escolha o objeto cortante da sua preferência e venha me furar pois minha carteira está na minha meia". E e você chega mais perto. Com um suposto objeto perfurante em mãos. Sabe o que você faz? Me pede um autógrafo. Afinal, todo mundo do seu bairro ouve o pagode mal amado que eu toco.

Olhe pra mim. Estou em meu apartamento. Com a sua irmã e as drogas que você me vendeu. Já sei o que está pensando. Que eu sou gordo, feio, mas rico e famoso. E que provavelmente já peguei AIDS da sua irmã, pois ela é um poço de DST (doenças sexualmente transmissíveis). Ou então, pensa que vou usar a droga contaminada que você me vendeu por ódio, depois que atropelei seu pai, sua mãe e seu cachorro. Mas não. Uso camisinha e as drogas são para meus amigos. E não vou ser condenado pelo atropelamento de seus familiares, pois, como mencionei anteriormente, sou rico.

Olhe para mim. Você lembra de mim? Aquele gordinho feio que você zoava no colégio? Ah, e sou rico, já te falei isso?
 
08 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 3:26 PM

ULTRA FAST FOOD

Sem querer ser chato, fast food destrói nossa vida. É a única coisa que todos nós gostamos de comer. No McDonald's, comemos, passamos mal, ficamos inchados, é caro... mas tudo bem, quem se importa?
No Habib´s, comemos catupiry podre, carne podre e queijo podre, passamos mal, somos tratados mal e pagamos os 10 por cento... e quem se importa?
No Bob´s você só vai pra fazer pirraça pra quem gosta do McDonald's, e come um sempre um sanduíche diferente, mas sabe que todos tem o mesmo gosto. E diz que o milk shake de ovomaltine é fantástico.

Vou juntar todas essas características em uma só rede de fast food: o McHabob's.
- Puta que o pariu, caralho, o que é que você quer!?
- Oi, eu quero um número 1.
- Ô Oswaldão, a bicha aqui quer um número 1. E aí?
- Ah, fala que se o viadinho quiser, ele pode vir aqui fazer.
- Vai, entra lá seu porra. Próximo!!!
E o rapaz entra e começa a fazer o próprio lanche.
- Er... Não estou gostando dessa carne... Posso mudar o meu pedido pro número 2 ou 3?
- Não tem. Só tem o número 1. Se quiser.
- Ah, tudo bem. Vou levar cru mesmo. Tem um rato morto na chapa.
- Ok, o seu pedido fica em 97 reais.
- Aceita ticket?
- Não.
 
04 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 12:04 PM

Ontem, cheguei do trabalho e tudo o que eu esperava era um pouco de sossego. Sabe, sossego... que nem o Tim Maia?
Saí do banho, estava no meu quarto, me enxugando e conversando com o meu irmão quando vem um grito da cozinha:
- Paulo, tá pegando fogo!!! - gritava minha irmã.
Olhei pro meu irmão, enrolei a toalha na cintura e saímos correndo em direção a cozinha. Abro a porta e vejo aquela luz laranja e aquelas labaredas lambendo o teto e o fogão... Cacete! Pensei comigo: "Já sei, vou tirar minha toalha que esta molhada e jogar em cima do fogo!"
Brilhante! Desisti, pois achei que não ia ser uma coisa muito bonita, um homem pelado apagando o fogo... Aí, o próximo passo lógico seria pegar o extintor de incêndio. Então fui ao hall de serviço, e tentei arrancar o extintor da parede. Tentei. A porra estava presa na parede e eu não conseguia tirar. Jóia. "Grande bombeiro, Paulo, parabéns. Você não aprendeu nada quando visitou o corpo de bombeiros quando era criança, né? Nããããão... ficou só brincando na espuma, né?".
Enquanto eu lutava com o extintor, ouvi o barulho na cozinha de algo caindo no chão... Era o meu irmão que tinha tirado a camiseta e batido na panela que estava pegando fogo. A panela caiu no chão e continuou pegando fogo. Meu irmão chegou e conseguimos arrancar juntos o extintor da parede. Levamos o treco pra cozinha e vimos que a merda estava lacrada. Maravilha. E assistimos, com o extintor na mão, o fogo da panela apagar sozinha.
A nova medida que vou recomendar para o corpo de bombeiros é a substituição de todos os extintores de incêndio por camisetas. É de fácil manejo, não precisa recarregar e apaga o fogo da mesma maneira.
Minha mãe, chegando em casa e ouve o porteiro falar:
- Acho que alguém queimou o feijão.
Ela chega em casa, entra na cozinha e todo mundo passando mal por causa da fumaça.
- E aí... quatro queijos ou calabresa?
Em São Paulo, até incêndio dentro de casa acaba em pizza.
 
02 outubro 2002
posted by Paulo Vivan at 11:52 AM

- Psiu! Ei, você!
- Cê tá falando comigo, tia?
- Isso mesmo, vem cá garoto.
- Fala, tia.
- Olha aqui, negócio garantido... Tô vendendo essas cartelas aqui... Você vai se dar bem.
- Olha, eu nem curto jogo do bicho, tia.
- Se liga, garoto... Isso aqui é muito melhor... Olha aqui, tá baratinho.
- Ô tia, isso aqui é cartela de bingo. O que eu vou fazer com isso...
- Ô meu filho, você leva o primeiro de graça. Juro. Vai lá e joga. Você vai gostar. Toma, não vou cobrar nada.
- Eu não quero isso não. Bingo é coisa de velho.
- Ah, não seja careta. Vamos lá, eu te acompanho.
E entramos num bingo daqueles grandes, com luzes de neon piscando sem parar. Lá dentro rolava um som do Jefferson Airplane no último, strippers dançavam entre as mesas.
- Olha aí, garoto. Diz que você não gostou. Agora pega sua cartela e vai ali naquele quartinho jogar strip-bingo que eu vou dançar com os go-go boys.